09 de julho de 2026
Internacional

Ditador prende escritor que chamou filho de obeso

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Kampala - Um famoso escritor de Uganda, crítico ao ditador Yoweri Museveni, recebeu na última terça-feira (11) acusações formais de "comunicação ofensiva". Entre os crimes supostamente cometidos por Kakwenza Rukirabashaija estão o de alegar que Museveni fraudou as últimas eleições e chamar seu filho de "obeso".

O romancista foi detido em 28 de dezembro, em uma operação em que militares invadiram sua casa, mas só agora foi formalmente acusado. Sua defesa alega que ele foi vítima de tortura sob custódia.

"Ele parecia estar vomitando, urinava sangue, havia marcas de tortura em suas pernas e pés, ele estava chorando porque suas nádegas estavam necrosando e ele estava com muita dor", disse o advogado Ero Kiiza à agência de notícias Reuters.

Segundo o registro da acusação, Rukirabashaija "utilizou intencionalmente e repetidamente seu [perfil no] Twitter para perturbar a paz de Sua Excelência o presidente de Uganda Yoweri Kaguta Museveni sem propósito de comunicação legítima".

Dias antes de ser detido, o escritor fez uma série de comentários críticos ao ditador e a seu filho, Muhoozi Kainerubaga, general que comanda forças de infantaria do Exército de Uganda.

Nas publicações que podem ter servido de pretexto para a prisão, Rukirabashaija descreve Museveni como um "ladrão de eleições", em referência ao pleito ocorrido no ano passado.

Durante a campanha, o principal candidato da oposição, Bobi Wine, teve parte de seus comícios impedidos pelas autoridades. Quando os votos ainda estavam sendo contados, Wine foi posto sob cerco militar. Apesar das acusações de fraude e das contestações na Justiça, a vitória de Museveni para o sexto mandato consecutivo foi certificada pelos órgãos eleitorais de Uganda.

Aos 33 anos, o escritor ainda não havia nascido quando Museveni assumiu o poder em Uganda com aura de libertador, à frente de uma guerrilha que derrubou a ditadura de Milton Obote.

Rukirabashaija e o opositor Bobi Wine representam uma geração de ugandenses que nunca viveram sob outra liderança política. Museveni, no entanto, mantém há quase 40 anos o discurso de que é o único que pode garantir estabilidade e progresso ao país contra interferências estrangeiras.