10 de julho de 2026
Geral

Pacientes com Covid-19 já esperam quatro dias por internação em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Pacientes com suspeita ou diagnóstico de Covid-19 atendidos na rede pública de saúde de Bauru já estão tendo de aguardar quatro dias, em média, por vagas de internação hospitalar, quando o quadro evolui de forma mais grave. A informação foi dada nesta quarta-feira (19) pela Prefeitura de Bauru, que destacou ser este o tempo médio de espera entre o pedido de hospitalização, feito pelo município, até a disponibilização da vaga pela Secretaria de Estado da Saúde.

A dificuldade para garantir o tratamento adequado aos pacientes ocorre em meio à nova explosão de casos de Covid-19 na cidade, sem que a disponibilidade de leitos de internação fosse ampliada no mesmo ritmo. Somente nos primeiros 19 dias do ano, Bauru contabilizou 3.297 moradores infectados pela doença, uma média de 173 registros positivos a cada dia.

No mesmo período, já são 12 vítimas fatais (leia mais na página 6), sendo que três perderam a vida aguardando vaga de internação. Segundo a prefeitura, nestes três casos específicos, os pacientes estavam em estado muito grave e morreram em unidades de saúde do município entre três e quatro horas depois do pedido de liberação de leitos hospitalares.

As vítimas foram uma mulher de 92 anos, que morreu no dia 10 de janeiro, além de uma mulher de 44 anos e um homem de 47 anos, que foram a óbito no dia 14. Todos tinham comorbidades e haviam recebido ao menos duas doses da vacina contra o coronavírus.

Porém, segundo o Executivo bauruense, no início da noite desta quarta-feira, havia paciente com Covid-19 na rede municipal de saúde aguardando vaga hospitalar há três dias. Até o momento, neste ano, não foram realizadas transferências de pacientes graves para outras cidades do Estado.

OCUPAÇÃO

Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que o hospital de campanha instalado no Hospital das Clínicas (HC) - referência para atendimento de pacientes com coronavírus que precisam de internação na rede pública - está com 100% dos dez leitos de UTI ocupados e 90% dos 20 leitos de enfermaria tomados.

Quando as vagas do HC acabam, os pacientes passam a ser encaminhados à Unidade de Cuidados Respiratórios (UCR) do Hospital Estadual, onde são atendidas diversas doenças deste tipo, incluindo a Covid-19. Nesta quarta, ainda de acordo com a pasta, dos nove leitos de UTI da unidade, um estava ocupado. Já na enfermaria, dos 19 leitos clínicos, nove estavam tomados, sendo um paciente confirmado para a doença.

Questionada sobre a possibilidade de reativar leitos diante da alta das internações, a secretaria se limitou a dizer que "tem garantido assistência e fortalecido os serviços de saúde estaduais para atender pacientes com a Covid-19". A pasta estadual também foi indagada sobre a fila de espera por leitos, mas não se manifestou sobre o assunto.

Desde o dia 1 de janeiro, conforme o JC revelou em primeira mão, o hospital de campanha passou a operar com dez leitos de UTI a menos. Eles eram custeados pela prefeitura, por meio de convênio firmado com a Famesp, administradora do hospital, e foram instalados em abril do ano passado, após acordo judicial firmado com o governo do Estado e Ministério Público.