O dia 20 de janeiro de 2021 ficou marcado na história de Bauru e, em especial, na vida do técnico de enfermagem José Luiz Costa Magalhães, 67 anos. Nesta quinta-feira (20), ele e a cidade celebraram um ano do início da vacinação contra a Covid-19, ação considerada fundamental para salvar milhares de vidas no município.
Depois de atuar por mais de um ano na linha de frente do combate à pandemia, na UPA do Mary Dota, José se aposentou, mas continua acompanhando todas as notícias sobre o assunto e demonstra preocupação com o avanço da variante ômicron no País. Porém, partindo de seu próprio testemunho de vida - de alguém que precisou ser intubado em razão da Covid-19 antes que pudesse receber a primeira dose -, celebrou sua saúde e também a alta adesão às vacinas na cidade (leia mais abaixo).
"Quero viver até os 110 anos e, até lá, tomarei todas as doses que forem recomendadas. E é uma alegria enorme ver que, assim como eu, tantas e tantas pessoas na cidade acreditaram na vacina, mesmo com tanta desinformação propagada no País", avalia.
José conta que, devido à idade e suas comorbidades, estava afastado de suas funções nos primeiros meses de pandemia, mas acabou contraindo Covid-19 de seu filho, também profissional de saúde, em maio de 2020. Pouco tempo depois, precisou ser internado e permaneceu intubado por oito dias.
'EXEMPLO A PACIENTES'
"Mas Deus me deu a vida novamente e me recuperei. Depois, voltei a trabalhar e acabei me tornando um exemplo, um ponto de referência, quando um paciente demonstrava muito medo de ser intubado. E é um momento realmente difícil. O médico apontava para mim e contava que eu já tinha sido intubado por causa da Covid-19 e estava trabalhando normalmente. Aí, eu conversava com o paciente, dizendo que ele precisava crer na cura que Deus poderia proporcionar na vida dele", relembra.
Diariamente na linha de frente do combate à pandemia, o técnico de enfermagem viu muitas pessoas morrerem e outras tantas se recuperarem da doença. Em meio às vítimas, perdeu cerca de dez conhecidos, entre colegas de trabalho e pessoas que faziam parte de seu círculo mais íntimo de convivência pessoal.
"Mas também tive o privilégio de ajudar a salvar muitas vidas e presenciar muitas histórias de superação. Por vezes, a gente se comunicava com os colegas que trabalham nos hospitais e ficávamos sabendo que os pacientes tinham vencido a doença. Também aconteceu algumas vezes de pacientes, depois da alta hospitalar, retornarem à UPA para agradecer a equipe. Nessas horas, o sentimento é de dever cumprido. Não há dinheiro que pague", comemora.
ESPERANÇA
Quando o ano de 2021 começou, o sentimento de esperança foi reforçado com as notícias de que a campanha de vacinação contra a Covid-19 estava prestes a começar, até que, em 20 de janeiro, para sua surpresa, José foi escolhido para ser o primeiro a receber a dose em Bauru, em uma cerimônia simbólica realizada na sede da Associação Paulista de Medicina (APM).
"Desde então, não contrai mais a doença, mas a gente sabe que os protocolos sanitários não podem ser abandonados", frisa. Meses depois da primeira dose, vieram a segunda e a terceira, todas aplicadas ainda no ano passado. Nesse meio tempo, em julho, José conseguiu se aposentar, depois de 50 anos dedicados à área da saúde, sendo 30 como servidor da Prefeitura de Bauru.
"Eu sempre tive um conceito de trabalho: de fazer pelos pacientes o que eu gostaria que fizessem por mim, se eu estivesse no lugar deles. E acho que essa pandemia nos deixa como lição exatamente isso: a necessidade de termos mais amor, cuidado e empatia pelas pessoas. O mundo mudaria se todo mundo se preocupasse mais com isso", completa.