09 de julho de 2026
Geral

Pequeno investidor pode ter resultado melhor que poupança sem correr risco

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Quem conseguiu guardar um pouco do 13.º salário recebido no fim do ano passado ou que já tem alguma reserva financeira e deseja começar a investir melhor seu dinheiro, mesmo que não seja muito, deve estar atento a outras modalidades que não a caderneta de poupança. Até quem não possui muita familiaridade com este universo e tem medo de apostar em outras opções deve se tranquilizar, porque algumas delas podem garantir maiores rendimentos, com o mesmo baixo risco assegurado pela tradicional poupança.

Sócia e assessora de investimentos da Copaíba Invest, Bruna Ferrucio explica que, com a taxa básica de juros - a Selic - acima de 8,5% ao ano (como está atualmente, em 9,25%), a poupança rende 6% anualmente. O índice é inferior à inflação, que encerrou 2021 em 10,06%. "Na prática, significa que a pessoa está perdendo dinheiro. Existem opções muito mais atrativas, que também são muito seguras", explica.

Como possibilidades, ela indica investimentos como o Certificado de Depósito Bancário (CDB), a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e a Letra de Crédito Imobiliário (LCI), que pagam um percentual do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), hoje em 9,15%, e são considerados tão seguros quanto a poupança. "A rentabilidade pode variar muito de acordo com a instituição bancária, então, é importante fazer comparações antes de investir", frisa.

RESERVA DE EMERGÊNCIA

A assessora de investimentos explica, contudo, que, para quem está começando a investir agora, um primeiro passo deve ser seguido: garantir uma reserva de emergência, que deve ter valor correspondente à quantia que a pessoa precisa para sobreviver em um mês, multiplicada por, pelo menos, seis vezes.

Assim, se ela ficar desempregada, terá algum dinheiro em mãos até conseguir se reinserir no mercado de trabalho. Também é um dinheiro útil diante de imprevistos, como tratamentos de saúde.

"Então, precisa ser um investimento que a pessoa pode resgatar a qualquer momento e uma opção são os títulos públicos do Tesouro Direto. O Tesouro Selic, por exemplo, paga 9,15% ao ano e a pessoa pode começar com um valor baixo. No último dia 10, por exemplo, o mínimo era de R$ 112,29, que é o valor de uma cota", frisa, salientando que a rentabilidade tende a aumentar ao longo do ano, já que a modalidade está atrelada à Selic, que deve se aproximar dos 11% ou 12% até o fim de 2022.

Bruna destaca que sobre o Tesouro Selic, assim como CDB, há incidência de Imposto de Renda (IR), o que não ocorre com a poupança. Porém, mesmo assim, são produtos que garantem maiores ganhos. Como exemplo, ela cita um investimento inicial de R$ 10 mil, que, em cinco anos, se tornarão R$ 14,6 mil para quem aplicar no Tesouro Selic, já descontado o IR. O CDB traria uma rentabilidade semelhante. Já na poupança, os mesmos R$ 10 mil chegariam a pouco menos de R$ 13,5 mil.

LONGO PRAZO

Estas são simulações para produtos com liquidez, ou seja, cujos valores podem ser usados a qualquer tempo. Mas, se a intenção for investir no longo prazo, é possível obter rendimentos ainda maiores. Este seria o segundo passo para o investidor iniciante, que, via de regra, costuma ter perfil mais conservador.

Assim, ainda dentro da cartela de investimentos de renda fixa, a assessora de investimentos cita o CDB pré-fixado em 12,75%, que, em cinco anos, transformariam os R$ 10 mil aplicados em quase R$ 17 mil, já descontado o IR. Outra opção é o CDB pós-fixado em 115% do CDI, que resultaria em R$ 15,5 mil.

"Há também produtos bancários que pagam a inflação mais uma taxa pré-fixada, que pode ser de 6%, por exemplo, algo que foi muito interessante no ano passado, com a inflação em 10,06%. Em 2022, o mercado visualiza que a inflação ficará em torno de 5%, então, investimentos atrelados a ela continuam atrativos", analisa.