08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Tia Dalva Correa Silva

Giulliana Mondelli
| Tempo de leitura: 2 min

De 1992 a 2021, dos 11 aos 21 anos, tive a sorte de ter a Tia Dalva em minha vida. Em uma foto tirada em frente ao DOM de Colônia, na Alemanha, em julho de 1996, que está em minha página do Facebook, ela aparece logo atrás, segurando o rádio à pilha, o qual ela levava para todos os lugares, sem exceção, com umas 2 cópias das K7s com todas as músicas que seus alunos dançavam.

Nessa época, chegava da escola 12h3h, almoçava, fazia as tarefas e às 15h já estava na abençoada barra, no calor acima de 30º de Bauru, o qual eu parecia sentir mais que ela...

Saía do ballet só umas 18h, 19h, quando tinha ensaio. Voltava pra casa livre e leve, comia um lanche e voltava a estudar, caso houvesse prova no dia seguinte. Nunca faltei. Passei no vestibular de Engenharia que eu queria, pois ser bailarina profissional seria algo surreal no Brasil. Conto tudo isso porque foi ela que me deu os principais conselhos nessa etapa tão determinante de minha vida. Me ensinou que erramos, que mudamos e que devemos aceitar quem somos e o que temos, dentro de nossas condições e limitações.

Eu só fui pra Alemanha porque ela ligou para o meu pai e o convenceu, com palavras que eu nunca tinha imaginado, que ele deveria incentivar minha dança. Essa viagem, junto das não menos divertidas, alegres e artistas talentosas suas filhas Marisa Correa Silva e Marcia Nuriah, me trouxe valores que até hoje levo para minha vida profissional e pessoal. Tia Dalva era à frente de seu tempo e hoje fico pensando o que ela deve ter contribuído para a vida de todos os seus outros alunos também.

Amar a dança acima de tudo é dançá-la com autoestima e segurança em qualquer lugar, porque o que vale é alegrar a alma, e eu trago isso dentro de mim, pois até hoje compatibilizo a dança com meu trabalho profissional. O céu está vivendo seu grande Festival e, com certeza, se eu pudesse, pegaria um radinho de pilha e dançaria em seu velório, pois este é o seu espírito!

PS: Ela dançou em meu casamento e foi a coisa mais linda que já vi.