Às vésperas do início do ano letivo, após muitas queixas de pais de alunos, a Secretaria Municipal de Educação anunciou que irá transferir, pela segunda vez, os 430 alunos matriculados na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Dirce Boemer Guedes de Azevedo, no Parque Bauru. A partir desta quarta-feira (26), os estudantes terão aulas em um prédio comprado pela prefeitura, na Vila Guedes de Azevedo, onde já funcionava uma escola particular, até que as obras na sede sejam finalizadas. Não há, contudo, previsão para que isso ocorra, já que as manutenções no local seguem paradas e dão claros sinais de abandono. No imóvel, em meio ao matagal, há muito lixo espalhado e até um cavalo pasta pelo terreno.
As reformas na Emef do Parque Bauru começaram em maio de 2020, sob investimento inicial de R$ 1,4 milhão e previsão de entrega da obra em 365 dias. Porém, em meados de 2021, o contrato com a empreiteira vencedora da licitação foi encerrado pela prefeitura, devido a atrasos. Desde então, a reforma está paralisada, sem previsão para retorno, segundo o Executivo.
Sem uma sede para funcionar, no ano passado, enquanto todas as Emeis e Emefs da cidade adotavam o sistema de ensino híbrido - quando intercalam-se aulas presenciais e remotas, os estudantes da escola Dirce Boemer Guedes de Azevedo continuaram, durante meses, tendo apenas aulas online.
Conforme o JC tem acompanhado, a situação na época indignou pais de alunos, que cobraram uma ação da Educação. Em resposta, em setembro do ano passado, a pasta alugou temporariamente um imóvel no Centro de Transformação e Vivências (CTV), no Núcleo José Regino. De acordo com pais, contudo, a estrutura não era adequada para uma escola, já que salas de aula eram separadas por armários e animais peçonhentos apareciam nos banheiros.
"É uma falta de respeito as crianças estudarem nessas condições, enquanto a obra na escola está não só parada, mas abandonada. Sabemos que as pessoas invadem o imóvel para furtar. O mato está enorme lá dentro e está cheio de lixo", criticou a garçonete Mayara Goffi, de 29 anos, mãe de Júlio César Goffi Gomes, de 7 anos, aluno do 2.º ano, que é matriculado há dois anos na Emef, mas sequer chegou a frequentar a sede da unidade por conta das reformas.
A reportagem esteve na Emef Dirce Boemer na tarde da última quarta-feira e constatou que o cenário é mesmo de abandono. Dentro do terreno e nos arredores, há muito lixo e entulho descartados. A grade que cerca o espaço foi danificada, permitindo fácil acesso à parte interna da escola, e havia até um cavalo pastando no local.
MUDANÇA
Após muitas cobranças e reclamações de pais a respeito do prédio improvisado, a secretária de Educação, Maria do Carmo Kobayashi, anunciou a transferência dos alunos para outro imóvel temporário, localizado na quadra 3 da rua João Poletti, na Vila Guedes de Azevedo. "O prédio foi adquirido recentemente para ser usado como escola temporária para as unidades que precisarem passar por reforma", explica.
Ao longo dos últimos meses, a Educação adquiriu 16 imóveis, dentre casas, terrenos e prédios, que somam R$ 34,8 milhões. Ontem, vereadores que investigam essas compras iniciaram visitas aos imóveis. A primeira fiscalização foi realizada no que abrigará a Emef Dirce Boemer que, coincidentemente, tambpem tem o nome Guedes de Azevedo.
"Os pais foram informados das adequações pontuais que o prédio necessita, como a implantação de uma cozinha adequada aos alunos. Enquanto isso, os estudantes receberão merenda seca, ou seja, sucos, frutas, biscoitos, tudo de forma balanceada e atendendo a necessidade de cada um. Os técnicos da prefeitura vistoriaram o prédio, na parte elétrica, telefônica e estrutural, e ele está apto a atender os alunos. As adequações são pontuais e já estão em andamento", informa a secretária.
Além disso, a partir do início do ano letivo na rede municipal, previsto para 9 de fevereiro, o Executivo continuará transportando os estudantes da Emef no Parque Bauru até o novo prédio, da mesma maneira que era feita em 2021, quando os alunos eram levados ao CTV.