09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Queria mudar o mundo...

Paulo Neves
| Tempo de leitura: 2 min

Eu fui uma das milhares de pessoas na década de 60 que queriam mudar o mundo. Não tenho vergonha de contar. Na minha cabeça defendia o teatro político, cinema de grandes diretores (Bergman, Fellini, Antonioni, Truffaut, Godard, Visconti, Bertolucci, Glauber Rocha), o bom jornalismo investigativo (na década de 70 tinha Movimento, Opinião, Bondinho, Pasquim, Realidade, entre outros), igualdade social, leis trabalhistas, ainda sem saber muito qual caminho seguir, mas tinha na cabeça um mundo mais justo.

Na passagem de 2000 para 2001 escrevi: Quero o amor renovado. Esperança. Comprometimento, com um mundo melhor, um século melhor. Quero ter muita saúde acima de tudo. De manter a alegria. A serenidade. A fluidez. A sorte. A capacidade de agradecer e celebrar sempre.

Em janeiro de 2022, os meus propósitos nestes 22 anos continuam os mesmos, mesmo sabendo que não vou lecionar mais, mesmo sabendo que nenhum diretor de Colégio vai investir em um professor de idade avançada (?). Há pessoas que se colocam melhor na velhice, isso é bom, não é o meu caso específico, mas respeito!

Penso então como ficaremos neste ano difícil, de 2022. Já escrevi nesta coluna que vai ser um ano muito violento com a proximidade das eleições.Difícil de aguentar este mundo paralelo da Covid-19/Ômicron. Mundo das redes sociais e fake news. Da Direita-conservadora e Esquerda.

Como ficarei com a vista mais fraca e com um celular antigo e um e-mail, quero reabrir meu curso de Teatro Paulo Neves com ajuda do Thiago e da Talita. Com dores no corpo, mas com uma fisioterapeuta Natália me colocando sempre pra cima... Sei que tudo que escrevi até agora é difícil, mas vamos levando... Eu continuo lendo o Roberto Magalhães, um exímio professor de redação, um grande baterista e um jogador de futebol de salão excelente, com poucos que vi jogar. Joguei alguns anos com ele na Fafil. Grande pessoa.

Joguei é vitupério/eufemismo, afinal, no meu time jogavam Volney Resta, Léo, Cido, Brasileiro, Japa, Sérginho, Português, Emilio, Edson e eu que era dono da bola, das camisas, da rede e do apito. Muito particularmente: era um bom reserva! Fico muito feliz, também, em acompanhar Alexandre Benegas, grande aluno, inteligente, participativo e com um texto primoroso.

Para concluir esse texto, eu acho que nós, idosos, deveríamos ser mais respeitados, ter algumas oportunidades de sermos úteis no mercado.

Excluir os idosos é rejeitar o passado, onde penetram as raízes do presente em nome de uma modernidade sem memória. Seguimos a vida angustiados, silenciosos, mas acreditando que o mundo possa melhorar.