A estação de monitoramento de meteoros instalada no Observatório Didático de Astronomia da Unesp de Bauru já prestou importantes contribuições para a ciência e para estudos de corpos celestes. Antes mesmo de completar uma semana de funcionamento, a câmera instalada no local já registrou a entrada de vários aerólitos no Planeta Terra, inclusive do bólido - um meteoro muito luminoso - que caiu no Estado de Minas Gerais recentemente.
Desde 7 de janeiro deste ano, a unidade bauruense integra as 93 estações de patrulhamento da atmosfera da Brazilian Meteor Observation Network (Bramon), ou Rede Brasileira de Observação de Meteoros, que utiliza câmeras hipersensíveis à luminosidade com o objetivo de captar 'luzes' no céu. Esses dispositivos começam a filmar quando os sensores detectam algum movimento.
O professor do Departamento de Física da Unesp de Bauru e coordenador do Observatório Didático de Astronomia, Rodolfo Langhi, conta que, logo no primeiro dia, a estação já registrou meteoros entrando na Terra. E, apenas uma semana depois, captou o bólido que caiu em Minas Gerais no último dia 14, também filmado por patrulhas de São Paulo, Goiás e Distrito Federal.
CARACTERÍSTICAS
De acordo com a Bramon, este meteoro caiu a 43,7 mil quilômetros por hora, percorrendo 109,3 quilômetros em 9 segundos, e desapareceu entre os municípios de Perdizes e Araxá, em MG. Foi calculado que o bólido media inicialmente aproximadamente 1,1 metro, podendo ser um pequeno asteroide, com massa inicial estimada em 2,5 toneladas. A energia do impacto com o solo, se caísse inteiro, equivaleria à explosão de 117 toneladas de dinamite. Quando ele terminou de queimar, sobraram 220 quilos da sua massa.
"Neste caso de Minas, por sorte, ele queimou na direção Norte de Bauru e pôde ser captado por nós. Todos esses registros são enviados à Bramon, que realiza uma série de cálculos para definir as características desses meteoros, asteroides, o que forem. Há uma equipe, inclusive, buscando por esses 220 quilos restantes. Estudar esses materiais têm uma importância científica muito grande, porque nos fornecem informações sobre nosso Sistema Solar e muito mais", detalha Langhi.
Em Bauru, a estação de patrulhamento também tem sido importante no âmbito acadêmico, já que alunos de física da Unesp, que realizam iniciação científica, estão sendo treinados para analisar as imagens de meteoros captadas pelas câmeras da Bramon. "É um tipo de pesquisa rara no Brasil. Então é muito enriquecedor. A ideia é que a estação se torne mais uma atração para o público que visitar o Observatório, quando as atividades presenciais forem retomadas, já que estão suspensas por conta da pandemia", complementa o coordenador.