10 de julho de 2026
Cultura

Em 'Moonfall', mais um fim de mundo

Rodrigo Salem
| Tempo de leitura: 2 min

Uma rara chuva forte castiga Los Angeles. Estamos no dezembro mais chuvoso da metrópole californiana em mais de uma década. O tráfego já caótico e intenso ganha o acréscimo do perigo com as ruas molhadas. Nada mais adequado para servir de pano de fundo para o encontro com Roland Emmerich, o cineasta alemão mais hollywoodiano que existe, o homem que já ameaçou a Terra com alienígenas em "Independence Day" e mudanças climáticas extremas em "O Dia Depois de Amanhã".

"Esse clima maluco foi planejado por você?", brinca a reportagem. O diretor solta uma risada rouca e sobe para a sala de montagem da sua produtora Centropolis Entertainment, em Hollywood, onde ele finalizava "Moonfall" - que estreia hoje em Bauru -, seu novo filme-catástrofe. Berry e Wilson fazem ex-astronautas em decadência depois de sua missão orbital ser estranhamente atacada por algum evento inexplicável. Anos depois, a dupla se torna uma das esperanças da Terra quando a Lua sai da sua órbita e inicia uma trajetória catastrófica rumo à Terra.

A ideia surgiu quando o cineasta leu "Who Built the Moon" ("Quem Construiu a Lua?"), livro em que os autores Christopher Knight e Alan Butler teorizam que a Lua não é um objeto natural, mas um construto artificial que poderia ser fruto de alienígenas, Deus ou de uma viagem no tempo.

Os heróis precisam resgatar um antigo ônibus espacial para, ao lado do cientista maluco de Bradley, provarem que existe algo movendo o satélite natural, tudo com a assinatura exagerada de Emmerich, um diretor que pode não ser amado pelos críticos, mas que entrega exatamente o que se espera dele.

Aos 66 anos, Emmerich diz que é "uma pessoa otimista", mas que se sente cada vez mais pessimista em relação ao futuro, principalmente por causa das mudanças climáticas, um assunto muito falado, mas pouco confrontado hoje em dia. "Quando vamos aprender? Nunca, não é?", questiona o diretor de "O Dia Depois de Amanhã", talvez o primeiro blockbuster a tratar do tema de modo espetacular, porém cada vez mais profético.

E ele não esqueceu a pandemia. "Viu como nossa sociedade foi rápida e facilmente paralisada?", diz ele. A entrevista presencial em um pequeno ambiente só foi possível porque estávamos em um período de calmaria, antes da variante ômicron se espalhar pelo planeta. Surpreendentemente, Emmerich não tem a mínima intenção de explorar o tema em um dos seus filmes-catástrofe. "Precisamos ter um distanciamento."