10 de julho de 2026
Política

Uma semana após anúncio, ainda não há data para novos leitos de UTI

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

No dia em que completou uma semana exata do anúncio de criação de novos leitos hospitalares para Bauru, nesta quinta-feira (3), a Secretaria de Estado da Saúde informou que a ativação dos 30 leitos anunciados pelo governador João Doria (PSDB) estão em fase de tramitação, mas não estabeleceu uma data definida para início do atendimento. Um dia depois, nesta sexta-feira (4), 43 pacientes aguardam vaga de internação, sendo dois para pediatria. Destes, dez são pacientes com infecção confirmada por Covid-19, sendo seis para UTI e quatro para enfermaria, segundo informações da assessoria de imprensa da prefeitura.

O anúncio do governador, na quinta-feira (27), foi de que serão criados 20 leitos de enfermaria e outros dez de UTI, o que dobrará a capacidade de atendimento do hospital de campanha, instalado no prédio onde funcionará o Hospital das Clínicas, que hoje conta com 30 leitos, com a mesma divisão de atendimento.

Na mesma ocasião, o governo estadual anunciou a ativação de 700 novos leitos exclusivos para atendimentos de Covid-19 na rede hospitalar do Estado, e o secretário de Saúde Jean Gorinchteyn anunciou também leitos para as cidades de Marília e Botucatu.

Durante o evento em que foi feito o anúncio dos novos leitos, a prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (Patriota), anunciou que o município faria o custeio de equipamentos de apoio dos leitos. Questionada, sua assessoria apenas confirmou a parceria, mas não detalhou quais seriam os equipamentos e nem quanto custariam para o município.

De acordo com dados divulgados pela Prefeitura de Bauru, em seu boletim epidemiológico, nesta sexta, os 10 leitos de UTI/Covid-19 disponíveis estavam ocupados com seis pacientes da região e cinco de Bauru.

APURAÇÃO

O vereador Eduardo Borgo (PSL) fez, na quarta-feira (2), uma comunicação de crime ao Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo (Deinter 4), com pedido de que seja instaurado inquérito pela Polícia Civil para apurar se houve conduta criminosa da Prefeitura de Bauru e do governo do Estado no fechamento de leitos destinados ao tratamento de paciente com Covid-19, considerando a relação desta ação com as mortes ocorridas em Bauru de pacientes com a doença. Agora, o delegado responsável pelo Deinter, Ricardo Martines, vai analisar o pedido e fazer o encaminhamento para instaurar inquérito criminal ou não.

Na comunicação, o vereador relembra acordo feito entre a Justiça, o Estado e a Prefeitura de Bauru, que se comprometeu, por meio de um acordo judicial, nos autos de uma ação que tramitou no Tribunal de Justiça de São Paulo, a manter, enquanto durasse a pandemia, dez leitos de UTI, além de outros voltados para suporte ventilatório e enfermaria. E cita matéria do Jornal da Cidade/JCNET mostrando que, das 52 mortes ocorridas em janeiro em Bauru, 25 não chegaram a ter acesso a leitos de terapia intensiva.

"Cumpre salientar que o governo estadual também pode ter responsabilidade nas mortes ocorridas antes que os pacientes tivessem a chance de serem transferidos às UTIs, mas essa possível parcela de culpa também pode ser levada à prefeitura municipal pelo fechamento dos dez leitos de UTI, visto que necessitamos nesta data de exatos 10 leitos de UTI", menciona no documento entregue à polícia.

Segundo o vereador Eduardo Borgo, embora o Governo do Estado tenha anunciado na semana passada a abertura de dez novos leitos, o anúncio não muda as consequências da ação da prefeitura.

"Mesmo que abra estes leitos do Estado e que não tenhamos mais necessidade de UTI Covid-19, o fato já ocorreu, as vidas podem ter sido perdidas por este ato da prefeita Suéllen Rosim (Patriota). Mas, se precisar de mais leitos, a prefeitura teria que abrir os leitos, afinal está condenada e teria que cumprir o acordo", afirmou o vereador.