Para desespero da minha mãe Elena - sim, com "e" mesmo, sem "h" -, tenho falado muito palavrão, mais até do que eu mesmo gostaria. Mas vocês hão de convir que tá difícil encarar a vida sem soltar um palavrão a cada meia hora... A cada uma hora, vai...
Como encarar uma pessoa dizendo que a outra mora numa encosta que pode desabar ou numa rua que sofre com alagamentos "por falta de visão de futuro" sem soltar um "p****!"? Como encarar uma pessoa dizendo "tomar vacina pra quê?" sem soltar um "c******!"? Tá difícil. É um 7 a 1 todo dia. E a gente acaba soltando umas pérolas do português vulgar para não explodir.
E sabe que tenho percebido que não sou apenas eu? No meu círculo de amigos tenho notado gente que nunca soltou um palavrãzinho sequer descendo do salto num momento de indignação. Do nada, solta um impropério daqueles. E depois, respira aliviado.
Ô, mãe, me perdoa, mas é justamente a sensação que eu tenho quando solto um palavrão. É um alívio súbito. Parece que ele - o palavrão - me dá uma camada extra de energia. E pelo jeito que a coisa anda no Brasil, ano eleitoral, negacionistas pelo caminho, discussões sem sentido sobre uma pá de coisas, acho que ainda vou ter muito palavrão pra verbalizar. Acho até que vou procurar uns novos no Google...