Agudos - A Polícia Civil de Agudos (13 quilômetros de Bauru) prendeu um servente de 28 anos suspeito de matar enteado de 1 ano por agressão e asfixia, no último dia 22, em um imóvel na Vila Santa Cecília. A causa da morte foi apontada em laudo do Instituto Médico Legal (IML) e, diante da prova documental, o suspeito admitiu à polícia que cometeu o crime, sob o efeito de drogas, porque a criança não parava de chorar. Ele ficou à disposição da Justiça em uma unidade prisional da região, isolado dos demais presos.
Após a morte do menino, o servente E.P.P. (apenas as iniciais foram divulgadas pela Polícia Civil) deixou a residência onde vivia com o enteado e a companheira, em Agudos, e mudou-se para outra cidade.
O caso, inicialmente registrado como morte suspeita, passou a ser tratado como um possível homicídio a partir do depoimento de testemunhas e do laudo do exame necroscópico feito pelo IML.
"As testemunhas ouvidas disseram que a criança tinha resquícios de sangue na região nasal, lesão nas costas e na região genital, mas não apresentava lesões na região abdominal", revela o delegado Jader Biazon.
"No laudo necroscópico do IML, consta que foram constatadas lesões compatíveis com ação contundente e sinais internos que podiam estar presentes em caso de asfixia".
Com base nas evidências de morte violenta, o delegado representou pela prisão temporária do padrasto da criança, que foi decretada. Na sexta-feira (4), ele foi localizado e detido na cidade de Castilho, com apoio de equipes da Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Bauru, Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Andradina e Delegacia de Castilho.
Nesta terça-feira (8), E.P.P. foi transferido para Agudos, onde foi formalmente interrogado por Biazon e acabou confessando o crime. "Inicialmente, ele negou a prática do delito, mas diante das provas que haviam sido carreadas aos autos e que lhe foram esclarecidas, o interrogando acabou por confessar a prática do crime", explica o delegado. Preso em uma unidade da região, ele responderá por homicídio qualificado. Já a mãe da criança poderá responder por abandono de incapaz com resultado morte.
O CRIME
No dia da morte do enteado, o servente disse à polícia que a sua companheira, uma estudante de 18 anos, ficou ausente e a criança permaneceu sob seus cuidados durante toda a tarde e início da noite. Ele alegou que, em determinado momento, o menino caiu do sofá e dormiu. Quando sua companheira chegou, notou que o filho não reagia e pediu ajuda a vizinhos, que tentaram reanimá-lo. Na sequência, a criança foi levada até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Agudos, onde o óbito foi constatado.
De acordo com Biazon, anteontem o servente confessou o crime com detalhes. "Em síntese, afirmou ter matado seu enteado, de pouco mais de um ano de idade, pois, na data dos fatos, estava sozinho com ele em casa e já havia fumado cinco pedras de crack. Disse que, sob efeito da droga, estava incomodado com a criança que não parava de chorar, talvez por fome ou por falta da mãe", narra.
"Então, afirmou ter desferido um chute na criança, mas como ela não parou de chorar, a arremessou em direção ao sofá e, mesmo assim, ela continuou a chorar, quando resolver subir sobre a criança, colocando um de seus joelhos na região genital dela, e passou a pressionar violentamente com as duas mãos a região do seu estômago, até que ela parou de chorar e de respirar, vindo a falecer".