O valor das dívidas não pagas pelos consumidores no comércio de Bauru registrou queda neste último ano. O total acumulado de R$ 44,168 milhões em janeiro de 2021 diminuiu para R$ 37,011 milhões até o fechamento do mês passado, o que corresponde a uma redução de 16,2% ou de R$ 7,157 milhões em apenas 12 meses.
Os dados são do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru. Segundo o consultor jurídico da entidade, Elion Pontechelle Junior, a queda do nível de endividamento pode estar relacionada a uma certa cautela do consumidor ao longo do ano passado, em razão das incertezas provocadas pelo agravamento da pandemia da Covid-19, especialmente no primeiro semestre.
O acumulado de R$ 37,011 milhões, aliás, é o menor dos últimos cinco anos, embora a situação econômica do País ainda não seja favorável. "Apesar de as vendas terem sido muito boas no fim do ano, com excelentes resultados no Natal, o consumidor parece ter optado por pagar dívidas em atraso e limpar o nome ao longo do ano, sem esbanjar com supérfluos, antes de fazer novas compras. E, em janeiro de 2022, também não tivemos acréscimo na inadimplência", analisa.
DISTORÇÃO
As estatísticas do SPC, porém, mostram que o número de devedores aumentou de um ano para outro, saltando de 35.144 consumidores inadimplentes em 2021 para 40.157 em 2022, o que equivale a mais de 10% da população da cidade. E, contrariando o que ocorreu com o valor total dos débitos, o volume de devedores em janeiro foi o maior em cinco anos.
De acordo com Pontechelle Junior, contudo, a alta está atrelada à recente associação à CDL de uma empresa de comércio eletrônico sediada em Bauru. "Ela se tornou associada e cadastrou dezenas de nomes. Então, houve uma distorção dos números, quando se faz a avaliação anual. Se excluíssemos os nomes negativados por esta empresa, a quantidade de devedores do comércio teria até caído um pouco", observa.
O consultor jurídico da CDL também destaca que o volume de consultas realizadas pelos estabelecimentos comerciais para verificar as condições de adimplência dos consumidores caiu drasticamente. Foram 34.384 checagens realizadas somente em janeiro de 2021 e 8.689 no mesmo mês de 2022.
"Acredito que isso tenha ocorrido devido a um aumento, ainda que pontual, nas compras com cartão de crédito. A loja só faz a consulta quando vai vender no crediário dela, que continua sendo uma modalidade tradicional pelos descontos que o consumidor consegue ter. Mas, devido às promoções que foram organizadas pela própria CDL, com juros menores e parcelamento maior, muitas pessoas podem ter aproveitado para comprar no cartão", analisa, salientando, ainda, a popularização do uso do Pix, que pode ter estimulado mais moradores da cidade a fazer pagamentos à vista.