Ali na rua Gerson França, quadra 6, hoje a Casa de Cultura Celina Neves, já foi o Maracanã, Pacaembu, Santiago Bernabeu (Real Madrid/ Esp.), Camp Nou (Barcelona /Esp.), Monumental de Nuñes (River Plate/Arg), La Bombonera (Boca Junior- Arg), Centenário (Nacional/Uruguai), sempre lotado!
Passei minha infância sozinho, sempre retransmitindo jogos de botão nesses estádios. Eu era Pedro Luís (Band.), Mário Moraes (Band), Haroldo Fernandes, Fiori Gigliotti.
Era muito bom!
Ataulfo Alves, que naturalmente compreensível que a geração Z nunca tenha ouvido falar, um sambista de qualidade, que agora estou relembrando, assim como o jogo de botão, com muita nostalgia, um pouco de tristeza, mas lembrando das travessuras que a meninada fazia na Gérson França, onde passavam poucos carros, ônibus do Quaggio, passava na rua 15 de Novembro. Então podíamos jogar a nossa bola de capotão sossegadamente e depois jogar botão de plástico, celulóide ou botão dos paletós surrados no meu avô-herói Antonio Alves Filho.
Jogava na área da casa-sobrado dos meus avós, à noite ocupava a ante-sala dos quartos do meu irmão Carlos e da minha irmã Celina Elizabeth.
Voltemos a Ataulfo Alves e sua composição "Meu tempo de criança" (se você quiser escutar essa música entra no site do Vagalume). "Eu daria tudo que tivesse/ para voltar aos tempos velhos de criança/ Eu não sei porque a gente cresce/Só não sai da mente essa lembrança/ Eu, igual a toda meninada/ Quantas travessuras eu fazia/ Jogos de botões pelas calçadas/ E eu era feliz e não sabia...".
As transmissões eram meu ponto forte, estava nos mais diversos campos do mundo, todas as noites, com muita vibração, barulho de torcida, que minha avó sempre reclamava porque não dava pra dormir, ela não sabia que os estádios estavam lotados!
Tudo o que se passava ali estava anotado no meu caderno que me acompanhou durante muito tempo, lápis era fundamental da J. Faber, os melhores. Anotava time titular, time reserva, o juiz, o narrador e o comentarista nas cabines e o repórter de campo nos gramados, que. por sinal. era eu, um polivalente, tudo isso para reduzir as "despesas".
Afinal. era fantástico, realmente era o show da vida de um garoto sozinho, que sabia que o show ia até 23 horas, hora que minha mãe Celina chegava da Escola Progresso, de datilografia e taquigrafia. Nesta última turma. minha mãe trabalhava com alunos do "Ernesto Monte", que saíam às 22 horas da Escola e iam fazer datilografia para melhorar de vida. Essa era a missão dela.
Hoje, infelizmente. não guardei nenhum time do jogo de botão.
Hoje não dá mais para agachar, a dor nas costas não permite, mas vou confessar algo e, que fique entre os leitores desta coluna: tenho vontade de jogar botão em uma mesa, narrar é mais difícil, os "estádios" são modernos, luxuosos e o pulmão é antigo, e o tempo não volta mais!
A solidão dói!
Uma frase bem piegas, afinal, é o que tinha pra hoje.
Quem inventou a solidão não sabe a dor da saudade.