09 de julho de 2026
Geral

Gestão passa ao Estado como requisito para a USP ter Faculdade de Medicina

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A abertura definitiva do Hospital das Clínicas (HC) em Bauru, que promete minimizar o problema crônico de falta de leitos de internação na região, é pré-requisito para que o curso de Medicina da USP em Bauru possa contar com uma unidade própria, a Faculdade de Medicina da universidade. Hoje, o curso está ligado à Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), que também abriga as graduações de Odontologia e Fonoaudiologia.

Segundo o superintendente do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), o Centrinho, Carlos Ferreira dos Santos, quando o Conselho Universitário (CO) da USP aprovou a criação do curso de Medicina, em julho de 2017, esta anuência foi condicionada à transferência, para o Estado, da gestão e custeio de todo o complexo do HC, que incluiu o próprio HRAC. Somente a partir disso, a universidade poderia requerer a criação da Faculdade de Medicina.

"A mudança de gestão e a incorporação do Centrinho ao HC, portanto, é um projeto institucional, que extrapola o que a USP em Bauru poderia gerenciar. São decisões de governo a partir de agora", argumenta, relembrando o histórico de tratativas, que envolveu a criação do HC e a cessão de uso à Secretaria de Estado da Saúde, em 2018; a assinatura do acordo de cooperação técnica para operacionalização do hospital, em 2021; e a publicação do chamamento público, em 2022, visando contratar uma Organização Social (OS) para administrar o HC.

O superintendente reforça que os 535 servidores do HRAC continuarão vinculados à USP, com salários pagos pela universidade, até se aposentarem. Porém, novas contratações, seja a título de reposição de profissionais ou para ampliação de serviços, ficarão sob responsabilidade do governo do Estado, por intermédio da OS.

"É o mesmo modelo de gestão do Hospital das Clínicas da USP em São Paulo e em Ribeirão Preto. São dois hospitais de excelência geridos pelo Estado, por meio de OS, com a diferença de que, depois, foram transformados em autarquia, o que também deve acontecer futuramente com o HC de Bauru. Então, teremos a oportunidade de ter em nossa cidade um hospital tão bom ou melhor do que estes", frisa.

INTERLOCUÇÃO

Santos também acredita que o Centrinho poderá ser incorporado ao HC mantendo seu status de hospital, inclusive com a manutenção da superintendência conduzida por ele hoje. "Juridicamente, o HRAC deverá existir por muito tempo, porque, inclusive, os funcionários precisam continuar vinculados à USP. E nossa proposta é de que os membros da chefia do HRAC tenham interlocução com os gestores da OS", frisa.

Com a iminência da abertura do HC, prevista para julho, a USP pretende encaminhar ao Conselho Universitário a proposta de criação da Faculdade de Medicina. Nela, será incluída a sugestão de a faculdade abrigar um Instituto de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, com autonomia, por exemplo, para manter convênios para captação de recursos, como o da Smile Train, maior organização de fissura labiopalatina do mundo, com quem o Centrinho mantém parceria desde 2017.

"Formamos um grupo de trabalho para elaborar a proposta de criação da faculdade, que deve ser apresentada até junho. É um processo complexo e nossa expectativa é de que, até dezembro, já tenhamos uma decisão do conselho", projeta, salientando que, no final do ano que vem, se forma a primeira turma do curso de Medicina, que precisa estar vinculada a uma Faculdade de Medicina para obter o diploma de graduação.