10 de julho de 2026
Esportes

Com redenção de jogadores, Los Angeles Rams vence o Super Bowl

FolhaPress
| Tempo de leitura: 8 min

O Los Angeles Rams montou seu time com jogadores que ainda acreditavam ter o que provar. Terminou a temporada como vencedor do Super Bowl, a final da NFL, a liga profissional de futebol americano.

A equipe derrotou o Cincinnati Bengals por 23 a 20 na noite deste domingo (13), em casa. Foi o quarto título da NFL conquistado pela franquia, que já passou por Cleveland, St. Louis e está em sua segunda passagem por Los Angeles. Dois deles (1945 e 1951) aconteceram antes da era do Super Bowl, iniciada em 1967.

Foi um momento inesquecível especialmente para o quarterback (lançador, a principal posição do ataque) Matthew Stafford. Depois de 12 anos no Detroit Lions e sem chegar a lugar algum, ele pediu para ser trocado com outro time porque queria ter a chance de chegar ao Super Bowl. Foi quando apareceu o Rams.

Mas a equipe também contratou o linebacker (posição da defesa) Von Miller, já vencedor do título pelo Denver Broncos. O recebedor Odel Beckham Jr chegou para fazer dupla com Cooper Kupp, um dos melhores da posição na NFL.

A partida aconteceu no estádio do Rams, o SoFi Stadium. Inaugurado em 2020, custou US$ 5,5 bilhões (R$ 29 bilhões em valores atuais). É a mais cara arena esportiva já construída.

O show do intervalo foi dos rappers Dr. Dre, Kendrick Lamar, Eminem, Snoop Dog e Mary J. Blige. Outro rapper, 50 Cent, fez uma participação especial. Foi a primeira vez que rap foi a música preponderante nas apresentações musicais do Super Bow.

Durante a apresentação, Eminem se ajoelhou no palco. Foi uma homenagem ao quarterback Colin Kaepernick, que se tornou ativista contra o racismo e processa a NFL por afirmar que os clubes se uniram para não contratá-lo.

Ele iniciou o gesto de se ajoelhar na execução do hino nacional americano, como protesto.

O início do jogo fez parecer que o Los Angeles Rams ganharia com facilidade. O time chegou abrir vantagem de 14 a 3. Matthew Stafford conseguia encontrar seus principais recebedores, Odel Beckham Jr e Cooper Kupp, com facilidade. Cada um deles anotou um touchdown.

Mas em um lance que parecia inofensivo, Beckham Jr torceu o joelho e teve de deixar a partida. Para ele, tinha tudo para ser o maior momento da carreira. Depois de ser trocado pelo New York Giants e fracassado no Cleveland Browns, a contratação pelo Rams, durante a temporada recém-terminada, foi a sua redenção.

Mas aos poucos, como já havia acontecido em suas outras partidas nos playoffs, o Bengals equilibrou. Ajudaram as duas interceptações lançadas por Stafford. Joe Burrow, quarterback de Cincinnati, manteve o seu ataque sem cometer erros. Nos primeiros minutos do terceiro quarto, ganhava por 20 a 13.

A partir dali, a final passou a ser dominada pelas defesas e os lançadores não encontravam tempo para fazerem passes. Quando começou o quarto e último período, o placar era favorável ao Bengals em 20 a 16. Joe Burrow teve de ser atendido no gramado e saiu mancando após levar uma pancada no joelho direito, o mesmo que ele havia lesionado.

O jogo ficou indefinido até que uma sequência de faltas a menos de dois minutos do fim colocou o Rams a uma jarda de marcar o touchdown decisivo. Foi o que aconteceu quando Stafford encontrou o passe para Kupp decidir o Super Bowl. O Bengals não conseguiu a virada.

Por ter protagonizado o momento mais importante da decisão e ajudado o Rams a conquistarem o título, Kupp foi eleito o MVP, o jogador mais valioso da final.

Super Bowl tem show histórico com rap de gigantes dos anos 1990

Por Laura Lewer/Folhapress 

Em uma performance que envolveu vários cenários, inúmeros dançarinos, carros antigos e uma sequência de hits gigantes, cinco figuras lendárias do rap e do R&B se apresentam neste domingo (13) no centro do estádio SoFi, em Inglewood, nos Estados Unidos, no show do intervalo do Super Bowl – a final do futebol americano e também maior audiência da TV americana.

Pouco depois das 22h, na metade da partida entre os Cincinnati Bengals e os Los Angeles Rams, Dr. Dre, Snoop Dogg, Eminem, Mary J. Blige e Kendrick Lamar entregaram o que já era anunciado desde que foram escalados – uma apresentação histórica, que certamente entrará para a lista de mais simbólicas já feitas nos jogos.

A performance no intervalo da partida é considerada um dos pontos altos da carreira de um artista. São cerca de 15 minutos para justificar a escolha feita para tentar agradar a um público que ultrapassa 100 milhões de pessoas e que não necessariamente ligou a TV para vê-lo.

Dessa vez, no entanto, pouco precisava ser provado, já que o quinteto soma 44 prêmios Grammy, o mais importante da indústria fonográfica americana, e tem importância inegável para a música mundial. Isso não quer dizer, no entanto, que o grupo não tinha mais história para fazer.

Foi a primeira vez que artistas de rap e majoritariamente negros guiaram uma apresentação do intervalo inteira – uma ausência marcante em uma NFL na qual a imensa maioria dos atletas é negra. A mudança é um dos efeitos da associação da Roc Nation, gravadora do rapper Jay-Z, ao evento.

Durante a apresentação, o único cantor branco no lineup, Eminem, se ajoelhou em homenagem ao jogador Colin Kaepernick, que em 2017 liderou os protestos dos atletas da NFL contra a violência da polícia americana a pessoas negras – e que depois disso foi expulso da liga.

Além disso, por iniciativa de Dre, foi a primeira vez que o show do intervalo incluiu intérpretes de linguagem de sinais na transmissão. A responsabilidade foi de Sean Forbes e Warren "WaWa" Snipe, dois rappers surdos, que fizeram a interpretação ao vivo em alguns aplicativos.

Musicalmente, o show foi uma reunião de clássicos facilmente reconhecidos por qualquer pessoa que goste de música e tenha ouvido rádio nos anos 1990 e 2000. A primeira a ser tocada foi "The Next Episode", canção de Dre com Snoop Dogg lançada em 2011 e uma das batidas mais reconhecíveis do rap.

Logo depois, a atração surpresa 50 Cent surgiu pendurado de ponta cabeça em "In Da Club" exatamente como fez no clipe da música de 2003; Mary J. Blige subiu no cenário com uma roupa brilhante para cantar seu maior sucesso, "Family Affair" – que tem dedo de Dr. Dre na composição – e "No More Drama"; Kendrick Lamar surgiu em meio a dançarinos que vestiam faixas que diziam "Dre Day" para entoar "M.A.A.D. City" e "Alright", e Eminem, que foi descoberto por Dre, quebrou uma das estruturas para cantar "Lose Yourself". Anderson Paak, vencedor de quatro estatuetas do Grammy, também participou na bateria.

Dre, que guiava toda a performance, escolheu cantar "California Love", lançada com 2Pac em 1995 e "Still Dere" – cantada com Snopp Dogg e escrita com Jay-Z. Para a última, que encerrou o show, todos subiram ao palco montado atrás dos famosos carros que aparecem no clipe.

Desde que o evento foi criado, nos anos 1980, já tocaram no intervalo nomes como Prince, Madonna, Beyoncé e os Rolling Stones. A última performance, bem elogiada, foi a de The Weeknd, que teve a difícil missão de entreter o público trancado em casa por causa da pandemia.

Herói dos Rams no Super Bowl foi sustentado pela namorada por sonho da NFL

Por Bernardo Gentile/Folhapress

Cooper Kupp teve grande atuação e foi decisivo para a vitória do Los Angeles Rams sobre o Cincinnati Bengals por 23 a 20 no Super Bowl 56. Tanto que ele não só levou o título como a premiação de melhor jogador da final: recebeu oito passes para 92 jardas e dois touchdowns.

Vivendo o auge aos 28 anos, o wide receiver não teve uma trajetória fácil até realizar o sonho de jogar na NFL (National Football League) e foi até sustentado pela namorada quando eles se casaram. Ele ainda estava na faculdade.

Kupp tinha a faculdade e as obrigações esportivas, mas o dinheiro não era o suficiente para manter o casal. Anna, que já havia desistido de cursar faculdade por conta da distância do namorado, que estava em outra universidade, assumiu os custos financeiros do já marido para deixa-lo focado na profissão.

Mais que isso. Em 2015, Anna trabalhava para conseguir dinheiro e ainda ajudava o marido também ao chegar em casa com algumas sessões de treinamentos complementares.

"Eu ia fazer um treino de crossfit com ela, que dava voltas ao meu redor nesses treinos. Quero dizer, é inacreditável. Sem dúvida, não há dúvida em minha mente, não apenas não estaria aqui onde estou hoje sem ela ou realizando qualquer uma dessas coisas. Eu realmente acredito que poderia não estar aqui [NFL] se não fosse por ela, pelo que me inspirou e me empurrou a fazer", disse à ESPN recentemente.

"Tenho certeza de que se tivéssemos perguntado aos nossos pais por ajuda financeira, eles certamente teriam ajudado. Mas, como casal, pensamos que precisávamos ser capazes de nos separar deles, sermos nós mesmos e cuidarmos de nós mesmos", completou.

Cooper e Anna se conheceram no fim do ensino médio e se casaram com 22 e 21 anos, respectivamente. "Eu sabia que ela era a pessoa com quem eu queria me casar quando nos conhecemos no ensino médio. Disse à minha mãe no dia em que a conheci: 'Vou me casar com essa garota'", afirmou.

O desempenho no ensino médio não foi dos melhores e Kupp teve apenas duas universidades dispostas a fazer propostas. Ele fechou com a Eastern Washington, onde se tornou um dos melhores jogadores de todos os tempos da faculdade. Em 2017, foi draftado pelos Rams na terceira rodada.

Em 2018, teve uma grave lesão ao romper o ligamento cruzado anterior do joelho e ficar de fora de praticamente toda a temporada. Isso atrapalhou seu desenvolvimento e retardou um pouco seu brilho. Kupp foi melhorando a cada ano até ser bastante premiado com troféus individuais em 2022.

Em 2020, ele já era um jogador importante. Tanto que assinou um contrato de três anos e US$ 47 milhões naquele ano e agora mora em uma mansão de US$ 4,1 milhões em Los Angeles com Anna e seus dois filhos.

Veja mais em: https://www.youtube.com/watch?v=JGlm-blGgsY