Após sucessivas altas, os preços médios dos combustíveis arrefeceram neste começo de 2022. Em Bauru, o litro do etanol sofreu uma redução de 10,25% nas últimas quatro semanas e o da gasolina recuou 1,28% no mesmo período, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Porém, tendo em vista a forte alta acumulada durante todo o ano passado, os valores ainda seguem em patamares que pressionam o bolso do consumidor.
Na segunda quinzena de janeiro, o etanol custava, em média, R$ 4,68 o litro, segundo a ANP. Já no dado mais recente (12/2), esse valor caiu para R$ 4,20. No entanto, há postos comercializando o combustível a R$ 3,94 na cidade. Nesse mesmo período, o litro da gasolina caiu de R$ 6,24 para R$ 6,16. Em Bauru é possível encontrar o produto a R$ 5,83. Os valores registrados na cidade são mais baixos do que os da média estadual (de R$ 4,53 para o etanol e de R$ 6,33 para a gasolina).
O movimento segue na contramão do que o brasileiro viu nos postos em praticamente todo o ano passado. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, a gasolina acumulou alta de 47,49% em 2021, e o etanol de 62,23%. Considerando desde 2019, o derivado do petróleo subiu cinco vezes mais do que a inflação e deve continuar pressionando o bolso do consumidor (leia mais nesta página).
AJUDA, MAS NÃO BASTA
O consumidor notou a queda tímida nos preços, mas ainda reclama que a situação está longe do ideal. O motorista de aplicativo André Campos encontrou etanol a R$ 3,94, melhor preço das últimas semanas. "Ajuda, mas precisaria ser ainda maior essa queda", comenta ele, que gasta cerca de R$ 100 por dia com combustível.
Já a atendente Patrícia Garbieri aproveitou ter encontrado preço mais baixo na região central e encheu o tanque. "Perto de onde moro, o etanol está R$ 4,30, essa diferença já ajuda", afirma.
Mesmo abastecendo a R$ 6,39, o autônomo Vinícius Correia considerou a recente queda uma importante ajuda no orçamento. "Às vezes, me desloco para fazer um orçamento e o cliente não contrata o serviço. Fico no prejuízo", diz.
OFERTA E DEMANDA
Segundo a Associação dos Revendedores de Combustíveis de Bauru e Região (Arcomb), o arrefecimento de preços reflete uma mudança de comportamento dos consumidores, que passaram a preferir o combustível derivado do petróleo. "Os usineiros subiram demais os preços e o pessoal migrou para a gasolina. Depois que a pessoa percebe que o rendimento é melhor, dificilmente volta para o etanol", avalia Edivaldo Tuschi, presidente da Arcomb.
Ainda segundo o representante dos donos de postos, o preço pode cair mais um pouco nas bombas, tendo em vista o início da safra programada para abril. "As usinas achavam que já teriam liquidado os estoques antes da entressafra, mas ainda têm álcool armazenado".
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), que representa 90% das usinas do Centro-sul do Brasil, confirma a elevação dos estoques disponíveis pelos produtores, devido a uma retração de 32% na comercialização de etanol em janeiro deste ano em comparação com o mesmo mês do ano passado. "Este cenário se reflete nos preços praticados pelos produtores que, desde novembro, já teve redução de R$ 1,05 por litro do biocombustível. A expectativa é de que esse recuo seja integralmente repassado ao consumidor final pelos demais elos da cadeia de comercialização", afirma a nota da entidade.