10 de julho de 2026
Geral

Após três anos tentando arrumar telhado de casa, família muda para barraco

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

Depois de três anos tentando consertar o telhado de casa, Josiane da Glória Vieira de Melo, moradora do Jardim Solange, zona oeste de Bauru, perdeu o que tinha para as chuvas fortes de dezembro passado. Durante semanas seguidas, a água invadiu cômodos, estragou móveis, eletrodomésticos e roupas. A saída para abrigar os quatro filhos foi alugar um barraco no Fortunato Rocha Lima, na zona norte da cidade, para onde conseguiu levar apenas um colchão e algumas roupas. Segundo a prefeitura, a mulher precisa entrar na fila de espera de projetos sociais na região onde mora.

Josiane conta que o telhado estragou por conta da ação do tempo. "Caiu tudo, desabou. Na época, a gente teve ajuda da Defesa Civil, que consegui uma lona. Mas com o tempo foi rasgando. Aí em dezembro começou a chover e estragar tudo. Eu ainda consegui a doação de 20 telhas, mas foi meu filho que colocou. Ele tem 15 anos, não ficou perfeito. Eu mudei porque molhava tudo dentro de casa", explica.

PRECÁRIO

No imóvel restaram roupas estragadas, colchões embolorados, eletrodomésticos inutilizados e um forte cheiro de mofo. Nem a geladeira deu para salvar. "Não tinha jeito, a gente dormia no colchão molhado", conta. No começo deste ano, ela mudou-se para o Fortunato Rocha Lima. "Pago R$ 150 de aluguel em um barraco de dois cômodos. Pelo menos as crianças não dormem na chuva".

A mulher conta ter procurado a assistência social da prefeitura, na esperança de conseguir algum material para remediar o problema no telhado. "A assistente social veio aqui, mal entrou e disse que a prefeitura não poderia ajudar. Falou que a reforma teria que sair do meu bolso, que eu tinha que trabalhar para conseguir. Mas não consigo creche para a mais nova. E também é só meio período. O que faz com meio período? Não dá. Me senti de mãos atadas", lamenta.

Desempregada, Josiane, que tem 32 anos, conta que a situação complicou depois da morte do pai, pouco mais de um ano atrás. "Ele me ajudava a cuidar das crianças, eu conseguia trabalhar de faxineira e empregada doméstica. Mas agora não tenho com quem deixar as crianças". A família vive hoje com R$ 400 mensais do auxílio emergencial. A filha mais nova tem 1 ano e 4 meses.

Segundo a prefeitura, a moradora deve procurar o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Nove de Julho para se inscrever e deixar o nome dos filhos para entrar na fila de espera de projetos sociais na região onde mora. Em relação às unidades escolares, existem 49 vagas na região do Fortunato. Ainda segundo a prefeitura, a Secretaria de Educação entrará em contato com a mãe.