11 de julho de 2026
Nacional

Pai resgata mulher e cinco filhos, mas sua filha de 13 anos e prima da mesma idade morrem soterradas

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

A voz de Márcio Luis Ferreira dos Santos, 45 anos, até falha quando ele lembra o momento em que pulou uma cachoeira de lama e correu de uma casa para outra para salvar a mulher e cinco de seus filhos. A sexta, Taylane de Souza dos Santos, ficou.

Ela e a prima Ana Clara da Fonseca, ambas de 13 anos, filmavam a enxurrada que jorrava no terreno onde ficavam cinco casas da mesma família em Petrópolis. 

Márcio não imaginou que as duas meninas seriam arrastadas pela mesma lama, que encontrou passagem ali no quintal quando uma barreira caiu e vedou o curso natural da cachoeira de terra formada pela chuva.

"Mamãe, cadê a Tatá? Morreu?", pergunta à mãe a irmã mais nova, de dois anos. Era extrovertida e alta como a avó, conta o pai, que é trabalhador autônomo, que por poucos segundos não foi junto.

PROCURA NO IML

Ele está entre as dezenas de parentes que, desolados, reconheciam filhos, irmãos, mães e primos em frente ao posto regional do IML (Instituto Médico Legal) de Petrópolis nesta quinta (17).

Assim como Tayane e Ana Clara, mulheres são a maioria das ao menos 117 vítimas do temporal que arrasou a cidade na Região Serrana do Rio de Janeiro na última terça (15). Até o fim da manhã, 101 haviam sido levadas para identificação: 65 mulheres e 36 homens --entre esses, 13 menores de idade.

DESAPARECIDOS

Maria das Graças Tomaz Coelho Vaz, 50 está desaparecida desde aquela tarde, quando foi ao dentista sozinha em Alto da Serra, umas das regiões mais atingidas pelas chuvas. Deixou uma filha de 24 anos. 

Daniela da Silva Viana é outra das mulheres ainda não encontradas. Aos 30 anos, voltava do trabalho no supermercado quando a água começou a subir pelo degrau do ônibus. Avisou a mãe que a corrente já balançava o veículo para o lado do rio. Estava com medo.

Ficaram esperando ela voltar, mas não. Ontem surgiu o vídeo do mesmo ônibus sendo arrastado junto a um segundo, enquanto passageiros tentavam escalar as janelas. A gravação que ela postou nas redes sociais lá de dentro já sumiu, depois de 24 horas.

O pai dela só soube "quando o dia já estava brotando", diz o pedreiro José Viana, 59. Procuraram em tudo quanto é unidade de saúde e deixaram o IML por último, onde ainda não conseguiram notícias. A mãe, Tânia Maria da Silva, 59, já avisou a perícia que ela usa aparelho e tem tatuagens. "Eu sinceramente já tô certa", fala a uma amiga no telefone.