Esse texto, como o anterior, é apenas um relato, sem ordem cronológica de fatos, casos, "causos", mudanças e alterações da cidade ao longo das minhas 84 primaveras, verões, outonos e invernos.
O texto está sujeito a correções e retificações. O que consta é um exercício de memória de idoso com lembranças que meus poucos neurônios preservaram. Ainda com foco na Praça Machado de Mello, esquina com a rua 1 de Agosto, funcionou a casa Dias Martins.
O movimento não compensou e foi fechada. Bem depois, foi aberta uma loja de miudezas que também encerrou as atividades. Hoje, é uma igreja evangélica. Na frente da Casa Sampaio foi inaugurada a primeira a loja de aquariofilia, venda de aquários, acessórios e afins, sob a gestão de Rubens Sampaio (Torto), filho de José Sampaio.
Foi sucedido pelo seu filho Marcelo Sampaio. Depois de um de certo tempo encerrou as atividades. Na parte superior dessa loja ficava o Clube dos Bancários (CB), fundado e presidido com muita competência e entusiasmo pelo festeiro Luiz Marono, funcionário do Banco do Brasil. Uma grande escada dava acesso ao amplo salão.
Ele trouxe para Bauru cantores famosos nacionais e internacionais e também orquestras do Brasil e de outros países.
Cada uma delas tinha um repertório de tangos. Nesse caso, ninguém entrava no salão. O único casal a se apresentar era o franzino Luiz Marono e esposa Leni Marono. Eles davam um show de habilidade, agilidade, suavidade nesse tipo de dança com passos complicados. Ao término, aplausos para o casal carinhosamente chamado de Fred Astaire e Ginger Rogers.
A Casa Burgo, loja de calçados, foi fundada por um casal de Pederneiras e seus filhos com o nome da família. Orlando Burgo foi diretor do Noroeste. Seu irmão, Oswaldo Burgo (Pederneiras), foi ponta esquerda do Bauru Atlético Clube.
A loja foi ponto de encontro de jogadores do Norusca, do BAC, de torcedores cornetas e não cornetas. Na frente da Casa Burgo, na outra calçada, funcionou a casa A Brasileira, da família Cacciola, no ramo de frios.
Uma concorrente era A Siberiana, na quadra 7 da Batista, da família Marcelino. Logo depois dela ficava a Lusitana, fundada por Antônio Garcia, também fundador do BAC junto com outros 11 amigos. Ele foi homenageado pela diretoria e seu nome foi dado ao estádio.
A família Garcia morava sobre a loja com acesso por uma longa escada pela Gustavo Maciel. De manhã, às 8 horas, Antônio Garcia descia para acompanhar a abertura das portas da gigantesca loja.
Sempre estava impecavelmente e elegantemente vestido com ternos de linho branco, perola ou de outras cores, camisa branca e gravata. O tecido era inglês da marca York Street. O dia inteiro ele circulava pelos departamentos da loja, verificando tudo e conversando com clientes. Ele foi sucedido na direção da loja pelo seu filho Ary Garcia.
Como fechamento da famosa casa comercial, o espaço foi dividido e alugado para lojas variadas. Na frente da Lusitana ficava o Lanches Fátima. Nas proximidades foi instalada a Márcia Jóias. Na esquina de cima, na Avenida Rodrigues Alves, com a Gustavo Maciel, era o local do Skinão e seu sanduíche bauru que só pode ser vendido com licenciamento para manter sua forma original.
Era ponto de encontro de jornalistas que saiam tarde das redações, de intelectuais, boêmios e afins. Hoje funciona perto do Aeroclube. Na mesma quadra da Lusitana tinha o Café Juca Pato, que também vendia garapa.
No local dele ou ao lado, virou Foto Guedes. Na quadra 6, ficava a Lalai, de Maria de Lourdes Pompeu, "point" dos "boys" ou "bad boys" da época.
Hoje, mantendo o tradicional nome, é um restaurante na avenida Nações Unidas sob a direção de herdeiros da famosa casa comercial.