Criado há apenas um ano e três meses, o Pix caiu no gosto do brasileiro e se popularizou, inclusive em Bauru, onde ganhou espaço não apenas entre prestadores de serviços, como pedreiros, encanadores, eletricistas, marceneiros ou comerciantes de alimentos porta a porta, mas em todas as atividades que se possa imaginar. Hoje, até mesmo vendedores nos faróis e guardadores de carros recebem pagamentos pela ferramenta eletrônica, que também entrou nas igrejas, facilitando a vida dos fieis que desejam fazer doações.
E é justamente devido à praticidade que o Pix se difundiu tão rapidamente. Em seu primeiro ano de existência, a modalidade respondeu por 1,6 bilhão de transações no Brasil, superando as movimentações financeiras realizadas via boletos, TEDs, DOCs e cheques somados, segundo o Banco Central.
Em Bauru, o Pix já é utilizado pela maioria das igrejas católicas e evangélicas. Segundo o pároco da Paróquia São Cristóvão em Bauru, padre Marcos Pavan, a ferramenta foi incluída como uma nova opção para fieis fazerem ofertas em dinheiro ou pagar o dízimo durante a pandemia, quando as missas presenciais ficaram suspensas para evitar a propagação do novo coronavírus.
"Agora, mesmo com a volta dos fieis aos templos, o uso do Pix se manteve. É uma modalidade que veio para ficar. Muitas pessoas que faziam doações pela maquininha de cartão, por exemplo, agora só fazem por Pix. Hoje, cada vez menos pessoas usam dinheiro em espécie e a Igreja Católica está sempre se atualizando", avalia.
Assim, enquanto o montante depositado nos ofertórios diminui, aumenta o quantitativo transferido por meios eletrônicos. Até porque, para usar o Pix, o procedimento é simples: basta ter um aplicativo de qualquer banco instalado no celular e digitar a chave Pix, que normalmente é o CNPJ da instituição, divulgado nas redes sociais.
'DESPERTAR PARA O DIGITAL'
Muitas igrejas evangélicas de Bauru também têm adotado o uso de QR Code, afixado em paredes dos templos ou divulgado no Facebook e Instagram, em transmissões online dos cultos. O fiel aponta a câmera do celular para o código e já consegue fazer sua doação, pelo Pix ou transferência bancária.
"Também é possível contribuir por meio de aplicativo. Cada igreja tem o seu e os fieis baixam no celular para terem acesso a textos, estudos bíblicos, programação da semana. Por causa da pandemia, houve um despertar maior para estas ferramentas digitais", observa o pastor Edson Valentim Freitas Filho, presidente do Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru e Região.
Ele avalia que, em um mundo cada vez mais conectado, os indivíduos podem não carregar carteira com dinheiro ou cartão, porém, quase sempre, estão com seus celulares à mão. "Além de ser uma facilidade, também é mais seguro para todos: para a pessoa, que não precisa carregar cédulas na carteira e para a igreja, que não correrá o risco de ficar manipulando tanto dinheiro", pondera.
O Pix também é uma facilidade que ajudou a vendedora de trufas Karina Gomes Santos Moreira, 32 anos, a aumentar a renda. Ela comercializa seus produtos no Calçadão e nos cruzamentos de vias onde há semáforo e, em seis meses de uso da ferramenta digital, já efetiva quase metade das vendas por meio dela.
"Antes, eu usava maquininha de cartão, mas demorava muito. Hoje, por Pix, consigo fazer a transação em 60 segundos, que é o tempo do farol vermelho. Vendo de 70 a 100 trufas por dia e é desse comércio que sai o meu sustento", relata.