Paris - Vladimir Putin deu um passo decisivo na rota de conflito com a Ucrânia e o Ocidente. Segundo o Kremlin informou nesta segunda (21), o presidente da Rússia disse aos líderes Emmanuel Macron (França) e Olaf Scholz (Alemanha) que iria reconhecer as áreas autônomas resultantes da guerra civil no leste do vizinho.
Com isso, os arranjos que mal sustentavam o equilíbrio na região, os Acordos de Minsk (2014-15), morrem. A Rússia passa a ser um ator ativo no conflito, não mais um presumido juiz.
Além disso, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou nesta segunda-feira (21) que soldados russos entrem na Ucrânia em uma "missão de paz", pouco tempo depois de reconhecer dois territórios separatistas apoiados por Moscou, a República Popular de Donetsk e a República Popular de Lugansk.
O decreto assinado por Putin diz que as tropas devem permanecer no território ucraniano até que os dois estados separatistas assinem tratados sobre "amizade, cooperação e ajuda mútua".
ONU
Em nota, o secretário-geral da ONU, António Guterres, diz estar "muito preocupado" com a decisão de Putin sobre o status de Donbass e "exige uma solução pacífica para o conflito no leste da Ucrânia, de acordo com os acordos de Minsk".
Mais cedo, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse em comunicado oficial que condena a decisão tomada pelo presidente da Rússia de reconhecer as regiões separatistas do leste da Ucrânia.
"Isso é claramente uma violação unilateral dos compromissos internacionais da Rússia e um ataque à soberania da Ucrânia", diz a nota.
"O presidente disse que planeja assinar o relevante decreto num futuro próximo", disse o comunicado do Kremlin, ressaltando que Macron e Scholz expressaram desapontamento com a decisão e indicaram a necessidade de se manterem contatos diplomáticos.
A assinatura foi oficializada em um pronunciamento duro de Putin na TV russa na noite desta segunda (tarde no Brasil) e deverá ser ratificada em breve. O russo disse que a Ucrânia está "cheia de clãs oligárquicos", falou sobre o crescimento de grupos neonazistas e disse que as autoridades do vizinho foram "contaminadas pelos vírus do nacionalismo e da corrupção".