09 de julho de 2026
Internacional

Brasileiro confessa ter matado mulher em Bariloche

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Buenos Aires - O brasileiro Fernando Alves Ferreira, 26 anos, detido desde sexta-feira (18) como suspeito de ter matado sua conterrânea Eduarda Santos, 27, com nove tiros na cidade de San Carlos de Bariloche, na Patagônia argentina, confessou ser o autor do feminicídio, na audiência que determinou sua prisão preventiva.

"Me declaro culpado pela morte de Eduarda Santos de Almeida", disse Alves ao juiz Sergio Pichetto, que determinou sua prisão preventiva por quatro meses.

A justificativa do suspeito foi de que cometeu o crime para "proteger sua segurança" e a dos gêmeos que teve com a vítima. Segundo Alves, ela estaria envolvida com traficantes no Rio de Janeiro, onde vivia previamente.

Eduarda foi encontrada morta dois dias antes, na quarta-feira (16), na estrada Circuito Chico. O local fica a poucos metros da estrada que leva ao hotel Llao Llao, centro turístico de luxo onde Alves trabalhava.

SUSPEITAS

Segundo dados da investigação, Alves, com o seu marido, um homem de nome Marcelo (seu sobrenome não foi revelado), havia contratado Eduarda para atuar como barriga de aluguel.

Marcelo teria morrido de Covid-19. Desde então, Alves e Eduarda, com as duas crianças, conviviam na mesma casa. Havia também um terceiro bebê, fruto da relação de Eduarda com uma pessoa não identificada, no Brasil.

"Fiquei viúvo há sete meses", afirmou o suspeito, que disse que Eduarda lhe fazia ameaças e que ele se encontrava sem condições financeiras de levar, sozinho, os filhos gêmeos ao Brasil. Porém,  disse ainda que preferisse retornar, os supostos vínculos de Eduarda com o narcotráfico no Rio ameaçavam a ele e às crianças, segundo sua versão.

"Se a Justiça argentina mandar meus filhos ao Brasil, estará mandando-os para a morte", disse ao juiz. As crianças se encontram temporariamente com a cunhada de Alves, que veio do Brasil para auxiliá-lo. Ele é paulista. "Não me importo em pegar uma perpétua, mas quero meus filhos em segurança."

Segundo o suspeito, Eduarda vinha fazendo "exigências fora do contrato", como a de participar do cuidado das crianças e inclusive dos gastos, além de ameaças de que os filhos estariam "na mira do narco" se fossem para o Brasil sem que Alves pagasse o que lhe devia.

Na Argentina, o recurso de barriga de aluguel é proibido por lei.