09 de julho de 2026
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Na dúvida, baixe o app

Maria América Ferreira
| Tempo de leitura: 2 min

A humanidade está se transformando rapidamente. Um quase caos está instalado entre os seres que são considerados racionais. Há opiniões contrárias, mas a vida virtual está tomando conta de tudo e todos. Um olhar mais detalhado mostra o quanto o ser humano está se tornando irreal. A presença humana em determinados locais está se tornando algo cada vez mais desnecessário.

Veja: as instituições bancárias estão desmontando todo o atendimento pessoal e levando para o virtual. Quanto menos gente nos bancos, melhor. Não precisa pagar funcionários e muito menos manter uma estrutura física para prestar serviços ao cliente.

As compras virtuais são uma realidade em praticamente todos os setores. De alimentos a remédios é tudo facilmente adquirido por meio virtual.

O mesmo ocorre com a prestação de serviços. Basta você precisar de um orçamento, seja para conserto ou instalação de algum produto, o prestador pede uma foto do objeto ou local, pelo Whatsapp, para passar o orçamento. As pessoas envolvidas na transação não se veem mais. E não para por aí. Tem medicina virtual. Agora você nem precisa se dirigir a um local para atendimento, basta acessar um serviço médico e receber atendimento virtual.

Óbvio que o avanço tecnológico em determinados setores é muito bem vindo. Porém, isso não significa que o ser humano deva perder a sua essência. Há poucos anos as pessoas se dirigiam aos locais para fazer o que precisavam. E era uma oportunidade para uma conversa rápida com o outro. Em alguns casos até um café era algo para ser absorvido como positivo. Hoje, nem telefone as pessoas usam mais. Ninguém quer ouvir a voz do outro.

As gerações que estão nascendo segurando um celular, provavelmente, não terão o prazer de viver intensamente. Não vão cair muito menos ralar a ponta do dedão do pé.

Nem vão saber que existia mertiolate e o quanto ardia nos arranhões, a ponto de a mãe soprar e dar um beijo. Não dá para dizer se isso é bom ou ruim. O que dá para perceber é que as crianças pulam etapas importantes da vida. A educação formal, bem que tentou, durante a pandemia, as aulas virtuais. Por sorte, parece não ter dado muito certo. Ao menos na escola a presença será necessária.

Não seria o momento de dar uma paradinha e pensar se tudo isso é mesmo o que se deseja para o futuro? Ainda existem pessoas que precisam de um apoio, uma conversa, um ombro amigo. Será que isso vai acabar? Será que pensar só no eu é suficiente para continuar a humanidade? Ou caminhamos para ser hologramas?

A autora é jornalista, colabora com Opinião.