Amigo José Pedro Naisser (Tribuna de ontem). Apesar de admirar demais sua força e trabalho, navegamos em barcos diferentes. Você segue a sua cruzada na expectativa de melhorar o mundo, acreditando que é possível o ser humano dar a volta por cima.
No meu caso, o barco em que sigo e teimo de chamar de realidade, entendo que não temos mais jeito e caminhamos a passos largos em todos os sentidos para a extinção. Diria que o ser humano não presta, é uma espécie que não deu certo e apesar de todo o seu domínio sobre os demais e sobre a natureza, vai se implodir com as próprias mãos.
Atitudes como esta localizada agora entre Rússia e Ucrânia pipocam a todos os instantes em graus e situações diferentes em toda parte do mundo.
Insisto que o consumo de bens não renováveis, a superpopulação, a desigualdade cultura e econômica, a produção de alimentos em escala de monoculturas, a criação de plantas e animais geneticamente modificados, a geração altíssima de lixo, o consumo desenfreado de energia, a circulação da população mundial transportando vírus de uma região para outra, as modificações da crosta terrestre que aceleram as alterações climáticas, o poder bélico monstruoso, o instinto humano de supremacia, sede de poder, competição, predação, superação a qualquer custo, egocentrismo, são meros detalhes que compõe o caldo nojento em que nos sustentamos. Insisto que não chamem estas posições de pessimistas, porém, de realistas por tudo que se pode observar com a frieza da razão. Infelizmente.