09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Rússia, um regime opressor?

Carlos R. Ticiano
| Tempo de leitura: 3 min

Não é de hoje que a Rússia e a Ucrânia vêm se estranhando. O estopim da crise entre os dois países começou há nove anos atrás, quando o presidente Viktor Yanukovich se declarou contrário à Euromaidan, conhecida por Europraça. Esta decisão desencadeou uma onda de agitações e manifestações pela população ucraniana.

Por ser contra a aproximação com a Rússia, considerada por Vladimir Putin de vital interesse para o processo de unificação dos países do bloco soviético, acabou deposto, depois de exercer um mandato de 2010 a 2014. Os desafetos do governo russo não se referem tão somente à Ucrânia, cuja capital Kiev, é uma das maiores e mais antigas da Europa.

Neste entrevero, aparece a Crimeia, uma península localizada no Mar Negro, banhada à nordeste pelo Mar de Azov, tida como uma república semiautônoma, situada ao sul da Ucrânia. Devido à instabilidade política na região, vive sendo disputada desde 2014, pela Rússia e a própria Ucrânia. Como um aditivo à mais, neste embate aparece a Sebastopol, uma cidade autônoma, localizada na península da Crimeia, sendo disputada de "facto" (na prática) pela Rússia e de "jure" (na teoria) pela Ucrânia. Mas reconhecida pela maioria da comunidade internacional, inclusive pela ONU, como pertencente à Ucrânia.

A indignação do presidente da Rússia, Vladimir Putin, em relação aos ex-aliados, recai de forma contundente sobre a Ucrânia, que têm demostrado uma certa rebeldia aos interesses de Moscou. Principalmente pelo fato, de demonstrar a intenção, em fazer parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Com o fim da guerra fria, período de tensão geopolítica entre a União Soviética e os Estados unidos, que teve início em 1947 e terminou em 1989, ficou subentendido pela comunidade internacional, que os países geograficamente vizinhos teriam a sua soberania incontestada, sem a interferência dos demais países. Por que a Rússia se tornou opressora?

A Rússia e a China, em nome de uma transição, com relação as regras econômicas e de soberania mundial, se veem estimuladas a buscarem novas regras, que ainda estão sendo discutidas, por considerarem que a era da pós guerra fria, se encontram desgastadas. A própria China, comandada por seu presidente, Xi Jinping, têm considerado a invasão de Taiwan, como um assunto interno, não admitindo interferência externa.

Não chega ser surpresa se a China ficar do lado da Rússia, se considerarmos que existe uma parceria, que não chega ser uma aliança, entre os chineses e os russos. Considerando que a Alemanha, Áustria e Hungria, estão muito ligadas à economia russa, a invasão da Ucrânia pela Rússia se tornou um problema para os países da comunidade europeia. Os Estados Unidos e Reino Unido já anunciaram uma série de sanções à Rússia.

Segundo analistas internacionais, sancionar à Rússia trarão também consequências para a União Europeia (UE), porque as economias estão interligadas.

O presidente americano, Joe Biden, nunca acreditou que Vladimir Putin daria um passo atrás, no sentido de não invadir a Ucrânia, devido ao forte aparato bélico que estavca distribuído por toda fronteira, que dá acesso a Ucrânia. Após semanas de tensão e ameaças, a Rússia finalmente invadiu a Ucrânia, numa operação militar nas regiões separatistas. As tropas russas avançaram a tal ponto pelo território ucraniano,que já têm em seu poder a Usina de Chernobyl.

O presidente americano, Joe Biden, estava correto. Justificando o ataque, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que a Rússia não poderia tolerar ameaças veladas da Ucrânia. O presidente da Ucrânia, Valodymyr Zelensky, convocou os reservistas para ajudarem na defesa do território ucraniano, dizendo que só sai do país morto.

Em meio a esta tensão vivida no leste europeu, será que o presidente Jair Bolsonaro, ainda considera um "casamento perfeito" como fez questão de reiterar ao presidente Vladimir Putin, o relacionamento entre os dois países? Será que o presidente, ainda acredita na ideologia - O que os políticos unem, a diplomacia não separa?