08 de julho de 2026
Internacional

Embaixada da Ucrânia rebate Bolsonaro

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O chefe da embaixada da Ucrânia no Brasil, Anatoli Tkach, rebateu nesta segunda-feira (28) as declarações do presidente Jair Bolsonaro (PL) - que disse na véspera que o Brasil deve permanecer neutro no conflito no Leste Europeu -e afirmou que o líder brasileiro está mal informado.

"Talvez seria interessante ele conversar com o presidente ucraniano para ver outra posição e ter uma visão mais objetiva. Nós estamos num momento muito delicado, quando estamos decidindo o futuro não só da Ucrânia, mas também da Europa e do mundo", disse Tkach, durante entrevista coletiva em Brasília.

No domingo (27), Bolsonaro afirmou que o Brasil deve adotar uma postura de neutralidade diante da invasão da Rússia na Ucrânia. "Nós não podemos interferir. Nós queremos a paz, mas não podemos trazer consequências para cá", disse o presidente a jornalistas em um hotel no Guarujá (SP).

Para o diplomata ucraniano, falta informação a Bolsonaro. "Não se trata de apoio à Ucrânia, se trata de apoio aos valores democráticos, ao direito internacional, incluindo os fundamentos como a não violação das fronteiras, o respeito à soberania internacional, do Estado e da integridade territorial".

ONU

Ele também afirmou esperar que o Brasil siga mantendo suas posições recentes na ONU (Organização das Nações Unidas) - o governo Bolsonaro apoiou uma resolução contra a Rússia no Conselho de Segurança e endossou que a crise ucraniana fosse discutida na Assembleia-Geral, em outro revés para Moscou (leia à página 17).

Na sua última manifestação no Conselho de Segurança da ONU, na sexta (25), o embaixador do Brasil na organização, Ronaldo Costa Filho, fez um discurso duro contra a Rússia.

Nesta segunda, no entanto, sua fala na Assembleia-Geral foi menos hostil contra Moscou, mas manteve a condenação do "uso da força contra o território de um Estado-membro", Costa Filho citou preocupações de segurança da Rússia que foram encaradas com descrédito nos últimos anos e se posicionou contra sanções unilaterais e o envio de armas a Kiev.