Pequim - A origem do coronavírus Sars-CoV-2, responsável pela pandemia que já provocou a morte de quase 6 milhões de pessoas em todo o mundo, continua um mistério para pesquisadores e autoridades de saúde em todo o mundo.
Agora, três novos estudos, um publicado na última sexta (25) e dois no último sábado (26), apontam novamente o mercado de animais de Huanan, em Wuhan, como epicentro da Covid. As três pesquisas foram tornadas públicas online e ainda aguardam revisão por pares.
ESTUDO 1
O biólogo evolucionista Michael Worobey, o primeiro caso oficialmente reconhecido pela OMS não foi o primeiro de fato. Worobey mostrou que, na verdade, a primeira pessoa infectada foi uma vendedora de peixes no mercado de Huanan.
A partir disso, Worobey e colegas foram investigar a distância dos 174 casos reconhecidos pela OMS no início da pandemia, em dezembro de 2019, do mercado. Utilizando dados de latitude e longitude disponíveis para 156 deles, os cientistas encontraram que a maioria dos casos ocorreu perto ou na região de entorno do mercado.
Em relação aos casos registrados no relatório da OMS, a distância média de todos os casos (n=174) era de 3,95 km.
Assim, eles concluem que a análise estatística confirma a hipótese de que "os primeiros casos de Covid estavam altamente concentrados no, ou próximos ao, mercado de Huanan".
ESTUDO 2
Na sexta (25), pesquisadores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de Wuhan divulgaram os resultados da análise de RT-PCR para detectar o coronavírus em 1.380 amostras coletadas no mercado de Huanan, em janeiro de 2020.
Logo após os primeiros casos de "pneumonia de causa desconhecida", que depois viria a ser a Covid-19, em dezembro de 2019, as autoridades chinesas fecharam o mercado de animais de Huanan e fizeram a desinfecção do local, que permanece fechado até o momento. Os cientistas coletaram amostras de 923 superfícies, como bancadas, paredes, chão e até bocas de bueiro, e 457 amostras de animais, incluindo carcaças, animais de rua e fezes de bichos no local. Os chineses encontraram traços do Sars-CoV-2 em diversos pontos no mercado, principalmente na ala oeste, que fica no lado esquerdo da rodovia Xinhuan, que corta o mercado em dois.
No estudo de Worobey, os autores também apontaram que alguns dos mercados que ofereciam animais vivos incluíam espécies como guaxinins, texugos (gênero Arctonyx) e raposas, que são possíveis reservatórios de coronavírus.
Assim como na pesquisa de Worobey e colegas, os chineses viram maior incidência de vestígios do coronavírus nas barracas que vendiam animais vivos.
ESTUDO 3
Resultados similares foram encontrados pelos pesquisadores chineses que encontraram a presença da linhagem A em amostras coletadas no ambiente do mercado. Assim, os dados corroboram novamente a circulação das duas linhagens no início da pandemia no local do mercado. Se uma linhagem derivou da outra - a diferença entre as duas é de apenas duas mutações -, ou se a linhagem A foi trazida ao local por uma pessoa infectada, ainda não é possível saber, dizem os cientistas.