Brasília - O Ministério da Agricultura já faz um levantamento dos múltiplos e variados problemas que o Brasil enfrenta por causa da guerra da Rússia contra a Ucrânia. A importação de fertilizantes e de trigo já está sendo afetada. A exportação de soja, outros grãos e carne para a Rússia e a Ucrânia também é motivo de preocupação. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse nesta quarta-feira (2) que o Brasil tem fertilizantes suficientes para o plantio até outubro e que o governo já trabalha para garantir o suprimento para o setor.
"O ministério avalia que, como o mundo todo, sofreremos impactos. Mas ainda não está claro o tamanho deles", diz a ministra da Agricultura, Tereza Cristina. "É preciso tranquilidade e cautela", afirmou.
O primeiro e mais imediato obstáculo é a importação de fertilizantes, fundamentais para a agricultura. O Brasil adquire no exterior 85% do volume aplicado nas lavouras.
A Rússia responde por cerca de 30% do suprimento ao país. A Belarus, nação aliada de Vladimir Putin, por cerca de 20%.
O Brasil já vinha enfrentando problemas para comprar os fertilizantes da Belarus ?o cloreto de potássio, produzido pelo país, é um dos fertilizantes mais usados por agricultores brasileiros.
Em novembro do ano passado, a ministra Tereza Cristina viajou à Rússia para tentar contornar o problema e aumentar a garantia de fornecimento de fertilizantes, evitando que eles faltem no Brasil ?o que pode impactar no preço dos alimentos da safra deste ano.
As sanções aplicadas pelos EUA e pela União Europeia ao país de Putin, no entanto, ameaçam agora esse fornecimento.
Tereza Cristina afirma que, caso o comércio de adubos da Rússia para o Brasil seja inviabilizado, há alternativas. "O potássio é o maior problema. Mas podemos comprá-lo do Canadá, de Israel, do Chile, de Omã", segue. Ela cita ainda o Marrocos e o Irã ?país para o qual viajou recentemente e que fez uma grande oferta de fertilizantes ao Brasil.
Outro problema já vislumbrado pelo ministério é o do trigo: o Brasil importa 60% de tudo o que consome. E uma parte desse volume vem da Rússia. A maior parte das compras, porém, é feita na Argentina, e outro tanto nos EUA e no Canadá.
BOLSONARO
O presidente Jair Bolsonaro (PL) utilizou nesta quarta-feira (2) a possível escassez de fertilizantes para defender a mineração em terras indígenas.
"Em 2016, como deputado, discursei sobre nossa dependência do potássio da Rússia. Citei três problemas: ambiental, indígena e a quem pertencia o direito exploratório na foz do Rio Madeira (existem jazidas também em outras regiões do país)", escreveu Bolsonaro no Twitter.
"Nosso Projeto de Lei n° 191 de 2020, 'permite a exploração de recursos minerais, hídricos e orgânicos em terras indígenas'. Uma vez aprovado, resolve-se um desses problemas", disse o presidente.
"Com a guerra Rússia/Ucrânia, hoje corremos o risco da falta do potássio ou aumento do seu preço. Nossa segurança alimentar e agronegócio (economia) exigem de nós, Executivo e Legislativo, medidas que nos permitam a não dependência externa de algo que temos em abundância".
A tonelada do potássio já pulou para US$ 820 aumento de 228%. Sem perspectiva de solução das questões geopolíticas a curto prazo, a estimativa é que o produto rompa em breve a barreira dos US$ 1.000 por tonelada.