Guardadas as devidas proporções, fui atingida por um míssil ao tomar conhecimento do áudio tão infeliz desse inútil que carrega o título de deputado estadual que, querendo ao não, foi eleito democraticamente pelo povo. O tal Arthur Do 'Mal', juntamente com tantos outros desse movimento "Mamãe Falei", que ainda não sei de onde surgiu, pois de mamãe não tem nada, muito pelo contrário, ele ofende todas as "mães", mulheres que carregam em seu ventre seus filhos amados.
Há que se tomar providências urgentes para defenestrar do poder essa figura nojenta, e que ele seja banido de todas as formas de convivência humana. Neste 8 de Março, o mundo comemora o Dia Internacional da Mulher, momento em que temos a oportunidade de enaltecer as grandes figuras femininas. Infelizmente não temos, principalmente nesta segunda década do Século 21, motivos para comemorar, considerando as tantas amarguras que as mulheres do mundo têm sofrido.
No Brasil, o número crescente da violência doméstica, desde o advento da pandemia do coronavírus, que trouxe a Covid-19 e que por conta da necessidade do distanciamento social, e com as mulheres enclausuradas em seus lares, ficaram à mercê de seus algozes, estão ainda sofrendo as piores violências. O desmantelamento das políticas públicas nos últimos anos, sob o jugo de um governo totalmente insensível às causas femininas, principalmente daquele que ocupa o posto maior do país.
Mas voltando ao tal deputado 'Do Mal', mesmo após vomitar tanto excremento sobre as mulheres ucranianas, que de tão asquerosas palavras não vou reproduzir aqui nessa missiva, ainda tem a arrogância de atacar o padre Júlio Lancellotti, dizendo que o padre é um "cafetão da miséria", quando na verdade esse demônio é o verdadeiro cafetão da política, cafetão do mal. O jornalista Jamil Chade escreveu um artigo em homenagem às mulheres vítimas das guerras, onde cita um episódio de duas irmãs, meninas entre 9 e 10 anos, num campo de refugiados, que relatam: "À noite, quando vamos ao banheiro, tem homens maus que fazem coisas com nossos corpos".
Realmente, após o surgimento da pandemia, por diversas vezes cheguei a pensar que talvez esse fosse o momento de nós, "seres humanos", reconhecermos a oportunidade de mudarmos a forma de como ver a vida, no sentido de valorizar o que recebemos de graça, mas não é o que estamos vivendo. No entanto, mesmo diante de um cenário tão negativo, encontro em meu coração o desejo de que neste 8 de março possamos sonhar com um país sem machismo, sem violência, sem fome, sem injustiça e com muito mais mulheres ocupando os espaços de poder!
A população brasileira é composta por 48,2% de homens e 51,8% de mulheres, segundo dados da PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, de 2019. Anseio que as mulheres estejam na linha de frente nas próximas eleições para deputadas, que ocupem mais cadeiras nas assembleias e tomem em suas mãos o direito de fazer as leis, de acordo com a real necessidade das mulheres do nosso país. Mulheres, não aceitem a violência, denunciem!
O Ligue 180 é o maior canal de denúncias contra a violência doméstica. O atendimento é 24 horas, gratuito e sigiloso, e agora passa a receber denúncias de violência contra a mulher pelo WhatsApp, sob número: (61) 99656-5008.
A autora é ex-conselheira do antigo Conselho da Condição Feminina.