Filho: Qual o melhor sistema político e econômico para se viver, pai?
Pai: Não há sistema que agrade todo mundo, filho, uma vez que nós, "humanos", temos ambições e qualidades em graus bem variados. E mudar as pessoas é difícil: no máximo, podemos incentivá-las para algo que acreditamos ser bom ou tentar inibi-las com leis severas para algo ruim. Devido nossa própria diversidade, mercados completamente livres resultam em abusos: a produção é ampla e variada, mas com ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres, enquanto mercados muito controlados levam ao oposto: produção limitada e básica, com padrões de vida mais baixos. É preciso buscar um equilíbrio maior, procurando conciliar: liberdade, incentivos e produção.
Filho: O que fazer, então, pai?
Pai: A chave está nesta ponderação do equilíbrio, filho! Como vivemos numa democracia, acredito que está faltando às pessoas que pensam desta forma assumirem o "protagonismo político" pra criar regras de controle e evoluirmos do mesmo modo que outros Países já conseguiram (caso recente da Estônia), conciliando bom desenvolvimento econômico com baixo nível de desigualdade social. E o melhor caminho pra isto, é fugir dos jeitinhos e dos "toma lá, dá cá", focando em princípios como "mérito, transparência, educação, justiça...", para se chegar em "estabilidade, desenvolvimento e oportunidades" pra todos. Nosso Brasil está longe disto, predominando a corrupção e privilégios.
Filho: Mas, pai, meu professor disse que uma melhoria na redistribuição da riqueza é necessária, e ele acha que do jeito que está isto não vai ocorrer.
Pai: Um pouco desta redistribuição já se existe faz tempo, filho, pois se cobra mais impostos (i.renda, i.ptu, ...) dos ricos e menos dos pobres, e o governo usa o que arrecada priorizando o atendimento aos setores necessitados. Mas creio que ainda há muito desvio dos impostos arrecadados, corrupção esta que afeta sua aplicação em setores essenciais (educação, saúde, moradia, ...). Filho: Não é bem isso que o professor quis dizer, pai! Ele disse que, se o governo fosse forte com poder para distribuir a riqueza de modo igualitário, todos poderiam ter alimentação farta, smartphones e roupas de grife, acabando com as diferenças sociais entre ricos e pobres.
Pai: Se isso fosse possível, filho, eu pararia de trabalhar agora mesmo! Por curiosidade: quem iria produzir toda esta riqueza (alimentação, smartphones, roupas de grife, ...), e como seria distribuída? Se acontecer esta maravilha que seu professor disse, com os produtos indo pra todos de qualquer jeito, a grande maioria das pessoas parariam de trabalhar, esperando de braços cruzados por este "milagre" da distribuição da riqueza.
Filho: Mas como funciona o sistema produtivo, pai?
Pai: Não há produto grátis, filho! Se alguém usufrui, é porque outro trabalhou de algum modo e quer ser recompensado por isto. Vivemos numa democracia que optou pelo capitalismo com liberdade para todos empreender. Nele, vale a lei da oferta e procura, com umas pessoas do povo se preocupando mais com preços, outras com novidades, e tem as que não abrem mão da qualidade. Tudo isto requer trabalhos e preços distintos, e é o empreendedor que deve ter a habilidade de avaliar custos, fazer suas opções e correr riscos. Uns se dão bem, outros nem tanto, mas neste sistema ninguém toparia fornecer um produto, sem a mínima garantia de receber o que acha justo! Assim, ao mudar para o "socialismo" do seu professor, o empreendedor que inova e se arrisca, deixa de existir, ocorrendo acomodação das pessoas esperando passivamente pelo governo prover a todos. Isto reduz muito a riqueza total gerada, que é o caso atual da Venezuela, onde há uma apatia quase total da sociedade.
Filho: Mas, pai, meu professor também afirmou que um governo socialista tem que ter poder para criar fazendas e empresas, donde virão os produtos.
Pai: Não é questão de "poder" e sim de "saber", filho! Tem até uma piada que diz: "os socialistas sabem chacoalhar a árvore para pegar os frutos no chão, mas não sabem plantar a árvore e cuidar dela". No capitalismo, quando o empreendimento dá certo, é porque o dono se empenhou e tinha as habilidades necessárias para dirigir, escolher sua equipe, e decidir sobre os produtos. Se não as tiver, é provável que não terá sucesso, podendo até fechar a empresa com prejuízo apenas dele e nem se fica sabendo. No socialismo, de início até ocorre algum entusiasmo e empenho pela novidade, mas, depois a produtividade cai muito, uma vez que ninguém se sente dono ou estimulado, e, entre todos, o princípio da "igualdade" gera o dilema: "porque dar o meu melhor se vou ganhar o mesmo que outro que não se esforça tanto!?" Assim, os empreendimentos socialistas acabam virando um amontoado de gente sem "afinidade & motivação", e o máximo que se produzirá será alimentação básica, sem fartura, e jamais smartphones e roupas de grife.
Filho: Então o problema não tem solução, pai?
Pai: Esquece a "igualdade", filho, até no socialismo há "desigualdade social" entre a cúpula, militares, burocratas, ...e o povo. Já seria uma ótima solução se mirarmos em Países como: Dinamarca, Japão, Estônia..., todos equilibrados economicamente e socialmente. A verdade é que esta guerra "Rússia & Ucrânia" reacendeu o debate entre dois modos de vida: um mundo mais "livre e transparente" representado pelo Ocidente, outro mais "fechado e obscuro" representado pela Rússia. Pelas repercussões favoráveis à Ucrânia, acredito que a grande maioria das pessoas bem informadas, de qualquer camada social e raça, ou de qualquer outro viés, prefere ser livre pra poder escolher como quer viver, e o melhor sistema em que isto pode ocorrer é numa "democracia & capitalismo" bem equilibrado, acompanhado de uma justiça isenta e atuante.