11 de julho de 2026
Política

Mobilidade está entre os aspectos que pioram avaliação sobre Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru recebeu avaliação mediana, de 5,3 em uma escala de 0 a 10, em uma lista de indicadores de serviços municipais e de qualidade de vida, que foi incluída em uma plataforma lançada nesta semana pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável e Estratégico de Bauru (Codese), em parceria com o Centro de Inovação Tecnológico e Social (I-Nova Cits).

Entre os macroeixos que rebaixaram a nota de Bauru, estão mobilidade, com pontuação de 4,2; urbanismo, com 3,6; e educação, que ficou com 3,4 pontos. Ao todo, a plataforma engloba dez eixos, onde se distribuem mais de 125 indicadores básicos da ISO 37120, norma técnica global sobre desenvolvimento sustentável de comunidades urbanas e que mede justamente o desempenho de serviços municipais e a qualidade de vida.

A plataforma foi desenvolvida pela Bright Cities, contratada pelo I-Nova, centro mantido por executivos e empresários de Bauru e que, junto com o Codese, pretende analisar justamente estes pontos mais críticos da cidade e propor soluções para a melhoria dos indicadores.

Presidente executivo do I-Nova, Pedro Fiorelli explica que todas as informações foram compiladas a partir de dados públicos. No macroeixo mobilidade, foi possível verificar que alguns quesitos ainda são problemáticos para Bauru, como a baixa extensão de ciclovias e ciclofaixas (de 7,7 quilômetros para cada 100 mil habitantes) e o número de viagens de transporte público per capita: a média é de 64,3 deslocamentos por ano para cada morador da cidade.

"Para se ter ideia, comparando municípios brasileiros de porte semelhante, Joinville tem 32 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas por 100 mil habitantes. Já Curitiba contabiliza 204 viagens anuais de transporte coletivo per capita. Em algumas cidades de outros países, estes números chegam a ser quase dez vezes maiores", frisa.

IMPACTOS

Outro dado negativo, segundo Fiorelli, é o número de 0,16 moto por habitante, considerado elevado e que se conecta ao fato de os moradores pouco utilizarem transporte público. "Isso impacta em mais poluição, mais acidentes de trânsito e mais sobrecarga no sistema público de saúde. Bauru ainda tem uma mobilidade muito centrada em veículos motorizados, sendo que o ideal seria privilegiar o transporte público e outros modais de transporte", acrescenta.

Já em relação ao eixo urbanismo, o presidente do I-Nova Cits destaca que alguns problemas precisam ser minimizados, como o fato de apenas 19% das vias contarem com drenagem de águas pluviais e o sistema de distribuição de água ainda registrar perda de 49% de todo o volume produzido. Ambos os dados, que constam na plataforma, são de 2020 e foram extraídos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento.

"Já em relação à educação, apenas para citar alguns itens, há necessidade de melhoria de notas do Ideb e aumento do número de escolas de ensino fundamental em tempo integral", acrescenta. No levantamento, o eixo segurança também recebeu avaliação ruim (3), mas, segundo Fiorelli, em razão de defasagem de informações, considerando que o banco ainda está sendo abastecido de novos dados.

Já as melhores notas foram obtidas nos macroeixos energia (6,6), tecnologia e inovação (6,4), saúde (6,3) e empreendedorismo (6,3). Os demais eixos são meio ambiente, que alcançou pontuação de 5,8, e governança, com 5,5.

Boa parte dos dados, inclusive as notas alcançadas por Bauru e as médias registradas pela região, municípios paulistas e cidades brasileiras, podem ser acessados por toda a população no painel de monitoramento Observa Bauru, no https://inovacits.com.br/.