Estrondo!!! Silencia
Escorre o morro
Escorre o plasma da Natureza, mais
que morta.
Exuberante! Hoje, frestas como
calhas de um intempestivo rio.
Pedras rolam.
Soterram vidas.
Histórias sepultadas.
Laços descerrados.
Amores, a terra engole.
Tudo se vai
Tudo é ferida.
Deserto da alma.
Uma lágrima salga os lábios.
Não se sabe ser prece, ou grito de
horror.
Aos heróis vestidos de coragem e
angústia, um copo de água fresca,
um pão com leite.
Mãos estiradas no meio do caos.
Empatia que se entrelaça nas dores,
onde verte o amor.
Almas compassivas cobrem os
desnudos.
Gesto enternecido, paliativo, no
inconsolável.
Poeira dos sonhos, na lama que
seca.
Chuvas, um fato circunstancial,
denunciam as mazelas estruturais,
sociais de um país.
É só o querer de um pedaço de
chão, para voltar.
Mas cadê?
Desce ladeira
Sobe ladeira
Suor do sustento.
De repente é planície.
Olhar perdido...
Apenas um ponto geográfico, no
meio do nada.
É a vida, é a vida.
Começo, meio e fim
E de novo
Começo, meio e fim.
Novas tempestades ..
Recomeço na enxada que raspa o
solo e ressuscita a esperança.
Sobrevivente encharcado de Fé.
Sem casa, sem pão, mas
sobrevivente das ruínas.
Agradece, se enxerga um vivente
forte, no fôlego da vida.