09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Petrópolis: um mês da tragédia

Olynda Bassan
| Tempo de leitura: 1 min

Estrondo!!! Silencia

Escorre o morro

Escorre o plasma da Natureza, mais

que morta.

Exuberante! Hoje, frestas como

calhas de um intempestivo rio.

Pedras rolam.

Soterram vidas.

Histórias sepultadas.

Laços descerrados.

Amores, a terra engole.

Tudo se vai

Tudo é ferida.

Deserto da alma.

Uma lágrima salga os lábios.

Não se sabe ser prece, ou grito de

horror.

Aos heróis vestidos de coragem e

angústia, um copo de água fresca,

um pão com leite.

Mãos estiradas no meio do caos.

Empatia que se entrelaça nas dores,

onde verte o amor.

Almas compassivas cobrem os

desnudos.

Gesto enternecido, paliativo, no

inconsolável.

Poeira dos sonhos, na lama que

seca.

Chuvas, um fato circunstancial,

denunciam as mazelas estruturais,

sociais de um país.

É só o querer de um pedaço de

chão, para voltar.

Mas cadê?

Desce ladeira

Sobe ladeira

Suor do sustento.

De repente é planície.

Olhar perdido...

Apenas um ponto geográfico, no

meio do nada.

É a vida, é a vida.

Começo, meio e fim

E de novo

Começo, meio e fim.

Novas tempestades ..

Recomeço na enxada que raspa o

solo e ressuscita a esperança.

Sobrevivente encharcado de Fé.

Sem casa, sem pão, mas

sobrevivente das ruínas.

Agradece, se enxerga um vivente

forte, no fôlego da vida.