O esporte de Bauru levou mais um duro golpe. O que vem sendo alertado desde 2019 pelos líderes da resistência da malha se concretizou, oficialmente, nesta semana. Uma das modalidades de maior tradição e potência competitiva em Bauru, desde 1954, com centenas de títulos, entre brasileiros, estaduais, regionais e dos Jogos Abertos do Interior, teve sua extinção decretada.
O Clube Independente União Princesa Isabel (Cuipi), o único que mantinha a modalidade viva, encerrou as atividades. Era o último de todas as seis unidades, todas encerradas. Até o estatuto foi alterado e agora o Cuipi irá fazer projetos com a terceira idade.
O custo alto de manutenção, a falta de apoio da iniciativa privada e o desinteresse da prefeitura de Bauru, tanto nas gestões Clodoaldo Gazzetta quanto da Suéllen Rosim, foram determinantes para este ponto final, afirma Delfino Del Rey Júnior.
Ele é multicampeão e uma referência entre os malhistas da cidade, além de ter sido presidente da Liga Bauruense de Malha (LBM) desde 2002. Delfino entregou seu cargo na segunda-feira (14) e a LBM enviará seu pedido de licenciamento para a Federação Paulista de Malha. O título mais recente da modalidade por Bauru ocorreu na última edição dos Abertos, em 2019, em Marília. O time da cidade, comandado por Del Rey, foi medalha de ouro.
NUNO
Outro motivo que contribuiu para a extinção da modalidade, segundo Del Rey, ainda quando Alexandre Zwicker era o secretário da Semel na gestão Gazzetta, foi a retirada da cancha de malha ao lado da praça paradesportiva da avenida Nuno de Assis. O fato, de acordo com ele, gerou um desgaste muito grande aos malhistas de Bauru que desacreditaram no governo municipal.
Além disso, Del Rey alega que foi exonerado do cargo de coordenador de modalidade pelo então secretário, por questões políticas. Em 2019, conforme o JC noticiou na época, a a prefeitura passou um trator e acabou com o que havia no local. Por lá, hoje, há pessoas em situação de rua. Ao assumir a prefeitura, Suéllen Rosim trocou na pasta Zwicker pelo atual secretário Flávio Oliveira, mas nada foi debatido até então, segundo os malhistas.
Recentemente, o JC noticiou o fim da equipe competitiva de tênis de mesa após constatação dos mesatenistas de falta de apoio da atual gestão municipal.
PONTO FINAL
Delfino Del Rey Júnior acrescenta que Bauru já teve seis clubes de malha, com cerca de 300 praticantes, que disputavam campeonatos da cidade e ainda haviam as seleções do município.
Estas associações tinham sedes na Vila Cardia, no tradicional e pioneiro Arapongas, no Padilhão, na polêmica unidade municipal extinta da Nuno de Assis, no Jardim Redentor, no Gasparini, Mary Dota e no Bela Vista, onde é a associação na qual Delfino é membro. As canchas de malha em todos estes endereços estão desativadas ou já foram demolidas.
O jogo precisa de quatro discos que custam R$ 1.950,00 e é necessário grande demanda de microesferas de polietileno, com preço de R$ 50,00 por quilo. Para manter uma cancha de malha dentro de uma sede, há despesa de R$ 1.200,00 por mês.
SEMEL
Segundo o titular da Semel, Flávio Oliveira, a pandemia de Covid-19 provocou prejuízos a várias modalidades esportivas e somente projetos estruturados poderão recolocar muitas delas novamente no circuito. A malha, assim como a bocha, necessitará de um projeto para a retomada, "respeitando seu histórico e seu potencial em nossa cidade", cita o secretário.
A Semel afirma que reconhece a representatividade do esportista Delfino Del Rey Jr. e já indicou a necessidade de iniciar tratativas para uma reorganização estrutural. Espaços, projetos, eventos, representação em competições estaduais oficiais estão na pauta. Prazos, novamente, não foram divulgados.