11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Após 'boom' de imóveis econômicos, alto e médio padrão iniciam retomada

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A pandemia da Covid-19 provocou forte impacto no movimento de lançamentos de empreendimentos residenciais verticais em Bauru. Após um pico de novas unidades colocadas à venda no último trimestre de 2020, em sua maioria de padrão econômico mais popular, o ano de 2021 foi marcado por baixo volume de prédios de apartamentos lançados no mercado. Porém, cerca de 70% deles tinham médio e alto padrão, ou seja, formados por habitações que custam acima de R$ 230 mil, têm a partir de 45 metros quadrados de área e dois dormitórios ou mais.

O estudo sobre o comportamento do setor nestes dois anos de crise sanitária foi apresentado no "Encontro Secovi-SP do Mercado Imobiliário de Bauru", realizado de forma online na noite desta terça-feira (15) pela regional bauruense do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). Do evento, participaram o economista Reinaldo Cafeo; o presidente executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim; o diretor regional da entidade, Riad Elia Said; e o diretor de Habitação Econômica da regional, Bruno Pegorin.

RITMO

Segundo Pegorin, a pandemia ditou muito da movimentação deste mercado, sendo que, de abril a junho de 2020, ainda no início da crise sanitária, nenhum empreendimento foi lançado em Bauru. Já de outubro a dezembro daquele ano, quando se acreditava na retomada da economia e da confiança do consumidor, foram ofertados 1.692 novos apartamentos, em sua maioria de padrão econômico.

"Em um primeiro momento, essa ausência de lançamentos foi provocada pelas incertezas sobre como o mercado iria reagir, além de haver uma dificuldade para prospecção de áreas, negociação de terrenos. Mas as vendas continuaram, o que estimulou alguns grandes lançamentos no fim de 2020. E estas unidades foram sendo consumidas ao longo de 2021", comenta Pegorin.

De acordo com ele, aproximadamente 70% dos 1.692 apartamentos lançados no último trimestre de 2020 eram de padrão econômico, com até dois dormitórios, área de até 45 metros quadrados e valor de até R$ 230 mil, enquadrados no programa habitacional Casa Verde e Amarela.

"Três empreendimentos responderam por grande parcela deste volume, cada um com 300, 400 unidades. Eles estão ficando maiores, para que, desta forma, seja possível diluir custos com aprovação, canteiro de obras, movimentação de vendas, e assim, manter margem de lucro", analisa.

REPASSE DE CUSTOS

Porém, já entre janeiro e março de 2021, mais uma vez, nenhum novo empreendimento foi lançado no mercado e os níveis continuaram baixos ao longo do ano, muito em função da inflação dos preços dos materiais de construção, como aço e cimento, conforme explica Pegorin.

Assim, se 2020 alcançou um total de 2.974 novos apartamentos colocados à venda, em 2021, este número foi de 476 unidades, sendo 71% de padrão médio ou alto.

Já para 2022 e 2023, a tendência é de que um volume maior de novos residenciais verticais continue sendo lançado."Vale destacar que o repasse de custo ao consumidor relativo à alta de preços dos materiais ainda não aconteceu. O esperado é que este aumento ocorra 'a conta-gotas' a partir de agora. Ele não ocorrerá de uma só vez", frisa.

Ainda de acordo com o diretor de Habitação Econômica da regional do Secovi-SP, nestes dois últimos anos, apenas os apartamentos de padrão econômico com dois dormitórios registraram retração de preço médio de venda, também como efeito da pandemia.

"Isso ocorreu porque, durante 2020, o estoque existente foi sendo consumido e sobraram unidades um pouco mais caras. Já no fim do ano, foram entregues as tabelas dos preços que seriam praticados em 2021, com concentração de lançamentos econômicos. E estas tabelas voltaram a ficar mais próximas da realidade", esclarece. Já para 2022, a expectativa é de alta de valores para todos os tipos de novos empreendimentos residenciais verticais.