09 de julho de 2026
Nacional

Veja onde a máscara ainda vale a pena

FolhaPress
| Tempo de leitura: 3 min

O governador João Doria anunciou, na última sexta (17), o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais fechados. O uso delas segue obrigatório, por enquanto, em ônibus, metrô, trens e respectivos locais de acesso (embarque e desembarque); hospitais, consultórios, unidades de saúde. A máscara torna-se opcional para os outros ambientes, como escolas, escritórios, academias, shoppings, lojas, restaurantes. Em nota divulgada à imprensa, o governador afirmou que tomou a decisão após orientação do comitê científico. A obrigatoriedade do uso do item de proteção em locais abertos já havia sido extinta no último dia 9.

Apesar da liberação, há quem diga que seguirá usando em caso de aglomeração, por exemplo. É o caso da estudante Júlia Kondo. "Ainda acho prematuro liberar geral. Vou seguir usando numa rua lotada, por exemplo, mesmo sendo um lugar aberto."

Apesar de locais abertos bem ventilados serem muito mais seguros, com pequeno risco de contaminação por Covid, algumas situações específicas merecem atenção. São elas, basicamente: espaços com aglomeração e contatos prolongados próximos, face a face. Mas quando ainda vale a pena usar?

CARA A CARA

Um risco menor ao ar livre não significa risco zero. Raquel Stucchi, professora da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, relembra que, em ambientes abertos, sempre houve exigência menor quanto ao uso de máscara. É comum tanto na rua como em parques ver inúmeras pessoas sem a proteção facial. Mori aponta que interações próximas cara a cara (com as caras sem máscara) por longos períodos oferecem um risco maior mesmo ao ar livre. Dessa forma, esse tipo de contato merece um pouco mais de atenção.

O pesquisador diz que a flexibilização deve vir acompanhada de comunicação que incentive as pessoas a procurar, de fato, locais abertos para fazer atividades como as de lazer. "Me parece oportunidade excelente para que haja uma boa comunicação incentivando as pessoas a ficar ao ar livre", afirma o físico.

SHOWS, ESTÁDIOS E PRAIAS

Quanto mais próximo alguém estiver e mais direta for a interação, maior será o risco. Quanto mais gente em volta, mais gente próxima a você, maior o risco. Quanto mais gente gritando, cantando, também maior o risco. Logo, é de se imaginar que um festival de música, como o Lollapalooza Brasil que deve ocorrer no fim deste mês, em São Paulo, jogos de futebol e até mesmo praias possam ser pontos de atenção.

"Shows vão acontecer, as pessoas estão se encontrando, fazendo eventos. Uma vez que essa demanda vai existir, que as pessoas vão procurar atividades, me parece muito mais razoável que a gente faça isso ao ar livre e promova o máximo de segurança possível dentro desse contexto", afirma Mori.

O pesquisador usa o Carnaval como um exemplo de um evento que foi cancelado ao ar livre, mas liberado para ocorrer em locais fechados, onde o risco de contaminação é muito maior.

Rosana Richtmann, infectologista do Instituto Emílio Ribas, lembra ainda que o Lollapalooza, por exemplo, atrairá pessoas de outros locais do País, que podem levar a uma maior circulação não só da Covid, mas de outras doenças. A especialista, porém, destaca mais a importância do uso da máscara em ambientes que conduzam até o local do festival (que será ao ar livre, no Autódromo de Interlagos), como metrôs, trens e ônibus. Isso quer dizer que você tenha que usar máscaras em eventos ao ar livre? A resposta a essa pergunta já é um pouco mais difícil.