10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Alta dos alimentos deve pressionar mais os consumidores

FolhaPress
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Brasília - O Ministério da Agricultura acredita que os preços dos alimentos continuarão em patamar elevado e descartou redução de exportações durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, medida adotada por alguns países para aumentar estoques. No Brasil, os principais grãos têm reservas equivalentes entre um e dois meses de consumo, concentradas no setor privado. Segundo Sílvio Farnese, diretor de Comercialização e Abastecimento do ministério, o governo não tem como adotar medidas para conter a disparada dos preços. Nem como agir para elevar estoques.

"Temos como baixar o preço dos alimentos? Não. Aumentar os estoques neste momento também só traria mais pressão de alta", diz. "Os preços estão elevados, e a tendência é de alta. Mas o melhor remédio para preço alto é preço alto. É isso que incentiva a produção."

Nos últimos dois anos, alguns dos principais grãos produzidos, consumidos e exportados pelo Brasil tiveram aumentos superiores a 100%, casos de trigo, milho e soja. Arroz e feijão, básicos na alimentação, subiram entre 40% e 50%.

Mas a produção de grãos ainda não aumentou substancialmente. Em relação à safra 2019/2020, a alta para a atual será inferior a 4% --considerando a colheita prevista, de 268,2 milhões de toneladas.

Antes mesmo da nova disparada de preços ao longo de 2021 e neste ano, quase 20 milhões de brasileiros, um Chile, declaravam passar 24 horas ou mais sem ter o que comer em alguns dias da semana. No total, mais da metade (55%) dos brasileiros sofriam de algum tipo de insegurança alimentar (grave, moderada ou leve), segundo inquérito da Rede Penssan.