09 de julho de 2026
Atitude

Chegada do outono alerta para temporada das viroses

Cleide Carvalho
| Tempo de leitura: 1 min

A chegada do outono, neste domingo (20) abre a temporada de maior incidência de vírus respiratórios no Brasil e coincide, este ano, com o fim do isolamento social e do uso de máscaras. Depois da baixa exposição da população em 2020 e 2021 justamente por conta do confinamento e das medidas protetivas, a mudança de estação deixa o setor de saúde em alerta.

Além do vírus da gripe e do vírus sincicial respiratório (VSR, que não possui vacina) - os dois com maior risco de complicações em crianças, idosos e imunossuprimidos -, a baixa cobertura vacinal do sarampo é a que mais preocupa.

A infectologista Rosana Richtmann, do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, defende que a campanha de vacinação de gripe, prevista para abril, inclua também a vacina do sarampo para as crianças de até 5 anos. Para ela, nesta faixa etária, o sarampo, que também é uma doença respiratória grave, é mais perigoso do que a Covid.

"A realidade é que tivemos zero campanha de vacinação no Brasil nos últimos dois anos, e é urgente vacinar contra o sarampo, que pode causar doenças como encefalite e meningite e levar crianças à morte. É inadmissível que estejamos discutindo a volta do vírus com uma vacina que conhecemos há décadas", lamenta.

Levantamento feito a pedido do Extra pela pesquisadora de políticas públicas Marina Bozzetto, da Universidade de São Paulo (USP), com dados do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), mostra que em 2021 a primeira dose da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) teve cobertura de 71,5%, bem abaixo da meta de 95% necessária para imunidade coletiva. A segunda dose e a dose única da tetraviral, que inclui ainda a varicela (catapora), atingiram somente 56%.