Haveria saudade falsa, eu pergunto,
ou falsaudade como a denomino?
Seria a indagação, falta de assunto,
ou coisa de um órfão menino?
Era, dos anos 40, o início.
Menos de três anos, minha idade,
quando perdi mamãe, daí o fictício:
Se, dela, em vida nada me lembro,
onde a saudade?
Lembranças da falta de um afago ou
carinho, é dessa saudade que,
pesaroso, eu falo…
Se não os senti, que saudade é
essa, do coração, no escaninho?
Talvez os tivesse sentido em vida,
ainda embrionária, o que não
deslustra qualquer tipo de
saudade,
nessa minha existência, hoje,
octogenária.