Botucatu - A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte de uma bebê de 4 meses ocorrida na última semana após passar por atendimentos no Pronto Socorro Infantil (PSI) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), que é administrado pelo município em parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da cidade, o HCFMB. A criança morreu no dia 17 de março, mas antes foi internada várias vezes com problemas respiratórios, mas em todas as situações teria sido liberada para voltar para casa.
O nome da vítima não será divulgado em razão de o caso ainda seguir em investigação e em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Consta no registro policial que, um dia antes de morrer, a criança deu entrada no PSI com desconforto respiratório e um raio X teria indicado uma mancha no pulmão da pequena. Ainda assim, a bebê foi liberada para volta para casa. Na noite do mesmo dia, contudo, a vítima voltou a passar mal e, na manhã do dia 17, foi atendida em caráter de urgência em sua própria casa pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Após o socorro, a criança foi encaminhada para o hospital da Unesp, onde a morte foi constatada. Diante dos fatos, os pais da bebê, acompanhados por advogado, procuraram a Polícia Civil para registro de boletim de ocorrência (BO), solicitando a apuração do caso, já que a criança havia sido atendida e liberada por diversas vezes pelas unidades médicas.
À polícia, eles teriam contado que a filha, nascida em outubro do ano passado, no HCFMB, começou a apresentar problemas respiratórios após 12 dias de vida, quando foi conduzida para o PSI, onde foi diagnosticada com broncolite e transferida para a UTI neonatal do hospital da Unesp. Na ocasião, ela teria ficado internada por, aproximadamente, uma semana.
Cerca de um mês depois, novo quadro respiratório fez com que a bebê fosse levada novamente ao PSI, onde ficou internada por mais duas vezes. Em janeiro deste ano, inclusive, a criança apresentou quadro de Covid-19, mas venceu a doença. No entanto, no primeiro dia de março, ela voltou a ser encaminhada à unidade e chegou a ficar intubada e ser transferida para o hospital da Unesp, onde permaneceu mais alguns dias na UTI.
Liberada novamente, a criança voltou a passar no dia 16 de março e morreu no dia seguinte. O delegado seccional de Botucatu, Lourenço Talamonte explica que a investigação ocorre com perícia de forma indireta, já que o corpo foi sepultado. Ele não descarta, contudo, uma possível exumação. "Vamos encaminhar o prontuário médico para o IML e, se necessário, para estabelecer a causa morte, o corpo poderá ser exumado", pontua.
SINDICÂNCIA
A Prefeitura de Botucatu diz que instaurou sindicância e que já ouviu a equipe do Samu. "O município aguarda o laudo necroscópico, que deverá ser emitido no início da próxima semana para pronunciamento oficial", informa, lamentando a morte.
O HCFMB explica que, em 16 de março, o PSI operava com alta demanda e espera de 5 horas, mas aponta que o tempo total de atendimento à criança foi de 2h32 na noite anterior à morte. O HCFMB ressalta que confia no atendimento e assegura que todas as condutas assistenciais foram cumpridas, de acordo com os protocolos. "Avaliações preliminares sugerem que a causa da morte não tem relação com a queixa inicial relatada, nem tampouco com o atendimento prestado no PSI", afirma o hospital, que se solidarizou com a família.