07 de julho de 2026
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Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Nunca houve tantos praticantes de skate em Bauru como atualmente. A conclusão é de professores e competidores. Depois de oito meses das primeiras medalhas olímpicas brasileiras na modalidade, conquistadas por Kelvin Hoefler, Rayssa Leal, a "Fadinha", e Pedro Barros, todos prata nos Jogos de Tóquio-2020, houve um "boom" na procura pela prática da modalidade e na compra de equipamentos.

Em Bauru, cogitava-se, a princípio, que poderia ser uma febre da moda, mas o tempo passou e o skate segue no gosto e nos pés de crianças, jovens e até idosos, que fazem manobras nas pistas públicas e particulares da cidade.

Um dos especialistas deste esporte em Bauru, o professor e competidor Tiago Negretty, 37 anos de idade e 22 deles dedicados ao skate, estima que o município tenha cerca de 10 mil pessoas que sabem andar sobre as quatro rodinhas, sendo assíduos ou os que em algum momento da vida já se aventuraram nas manobras.

"Temos milhares de pessoas que sabem andar, que praticam uma vez ou outra ou que já andaram e pararam devido a rotina. E temos centenas que andam diariamente ou aos finais de semana. Só aqui na minha escola, antes das Olimpíadas, tínhamos cerca de 120 alunos e agora passamos de 180, assíduos. Somando os que andam de vez em quando, temos 300 alunos aqui", comenta Negretty, que dá aulas na Flash Ramp Park.

Ainda segundo Negretty, o crescimento na procura depois de Jogos Olímpicos é de pessoas que se firmaram na modalidade. Porém, falta infraestrutura adequada.

"O nosso problema é que estamos com aumento de praticantes, mas temos pistas inadequadas em Bauru. Nenhuma delas tem padrão olímpico. A única 'andável' é a do Aeroclube (quadra 37 da rua Araújo Leite, Vila Universitária). Nas demais é alto o risco de o praticante se machucar. Não há uma manutenção oficial e somos nós, skatistas, que precisamos manter o local. Inclusive já fizemos vaquinha para comprar tinta e dar uma repaginada naquela pista. Falta apoio da prefeitura", detalha o professor.

EXEMPLOS

Negretty acrescenta que o município precisa seguir os passos de cidades que valorizam os seus praticantes. "Em São Bernardo do Campo e em Ribeirão Preto existem pistas de padrão olímpico, municipais, que são bem cuidadas tal qual um clube particular. Ou seja, fecha toda segunda-feira para manutenção e tem horário para entrar e sair", aponta.

"Aqui, recentemente, construíram uma pista inadequada, a do Mary Dota. Foi feita por uma empresa especializada em construção, mas não em skate. Está em desacordo com o ideal, perigosa e com erros de execução, principalmente nos corrimãos", reclama.

Apesar disso, o futuro é promissor, segundo ele, porque observaram crianças de três anos ingressando no skate, de mãos dadas com os pais, e até uma aposentada, de 68 anos, fazendo aulas em uma pista particular de Bauru.

TORNEIO

Recentemente, no dia 13 de março, conforme o JC noticiou, Bauru recebeu mais de 200 competidores da região para o Bauru Skate Park (BSP) Constest, ao lado do Aeroclube. E em breve são esperadas outras competições na cidade.

SEMEL

Segundo a prefeitura, Bauru conta com quatro pistas municipais. A Bauru Skate Park, na rua Araújo Leite, perto do Aeroclube, a do Parque Santa Edwirges, Vila Independência, e a do CEU das Artes, no Núcleo Pastor Arlindo Viana, região do Nova Bauru. Uma quinta pista de skate ainda está sendo finalizada, no Núcleo Mary Dota. A manutenção é realizada conforme a necessidade, de acordo com a prefeitura, ou quando há solicitação. A Semel é a responsável.