A visibilidade de empreendedores negros vem aumentando nas últimas décadas, afirmam especialistas e empresários, mas figuras em lugar de autoridade ainda são raras e precisam ser popularizadas. É o caso de Luana Genót, 32 aos, única jurada fixa do reality show de empreendedorismo "Ideias à Venda", que estreou mês passado na Netflix. O programa traz, a cada episódio, quatro competidores de um mesmo setor que apresentam seus projetos e disputam um prêmio de R$ 200 mil.
Nele, Genót, empresária que atua prestando consultoria a companhias para estruturar ações antirracistas, é responsável por testar o modelo de negócio dos participantes e dar conselhos.
Para Márcio José de Macedo, professor e coordenador de diversidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, a visibilidade de empreendedores negros se dá como consequência de uma mudança na percepção social a respeito dessa população nas últimas décadas. Esse movimento, afirma ele, está vinculado a uma discussão em torno do racismo, da desigualdade racial e de como isso impacta o funcionamento da sociedade e a vida da população negra.
O Brasil tem 14,5 milhões de empreendedores negros, que movimentam mais de R$ 288 bilhões por ano, de acordo com a pesquisa A Potência Negra, realizada pela Feira Preta em parceria com o Instituto Locomotiva.
Segundo o levantamento, de setembro de 2021, que teve 2.029 entrevistas, empreender é o principal objetivo para a população negra. Pioneira no trabalho com esse mercado, a empresária Adriana Barbosa, 44 anos, lançou há 20 anos a Feira Preta, que começou como evento de cultura e empreendedorismo e, no ano passado, incorporou também um marketplace e um programa de aceleração.
Para ela, o pequeno empresário teve papel fundamental para que lacunas de produtos e serviços que atendessem ao consumidor negro fossem preenchidas. As soluções, em muitos casos, vieram para sanar problemas que eles ou suas comunidades enfrentavam.