A partir de um pedido feito pelas próprias entidades, o prazo para entrega dos planos operacionais pelas Organizações Sociais de Saúde (OSSs) interessadas na gestão do Hospital das Clínicas (HC) de Bauru, que seria encerrado em 14 de março, foi estendido para 22 de abril. Ao todo, cinco instituições participam da disputa e a expectativa é de que o nome da vencedora seja conhecido até o final de maio.
Em fevereiro, participaram de uma visita técnica ao prédio do HC a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (Faepa); a Fundação Faculdade de Medicina (FFM); a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM); a Fundação do ABC; e a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp). O trâmite era considerado pré-requisito para a permanência na concorrência, portanto, já se sabe que uma delas será a responsável por administrar o futuro hospital.
Conforme o JC apurou, todas as entidades possuem experiência em gestão hospitalar, sendo que a Faepa e a FFM já gerenciam, respectivamente, o HC da USP de Ribeirão Preto e o HC da USP de São Paulo. Já a Famesp administra, somente em Bauru, o Hospital Estadual, Hospital de Base, Maternidade Santa Isabel, Ambulatório Médico de Especialidades e o hospital de campanha aberto em razão da pandemia.
CRITÉRIOS
Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que, para a escolha da OSS, "o departamento técnico da pasta analisa os projetos, levando em conta critérios como os objetivos propostos, repasses de recursos e investimentos para o funcionamento do hospital". Destacou, ainda, que "a visita técnica é obrigatória e importante no processo, pois garante às instituições a oportunidade de conhecer melhor as instalações do edifício, equipamentos e sua estrutura física".
LISTA DE METAS
Nos planos de trabalho, as OSSs precisam apresentar uma vasta lista de informações, que inclui metas detalhadas de saídas hospitalares de pacientes clínicos e cirúrgicos, adultos e crianças, bem como atendimentos ambulatoriais e volume de exames laboratoriais e de imagem, entre outros. Também é necessário quantificar o número de funcionários a serem contratados, custos estimados com compra de insumos e admissão de serviços de limpeza e vigilância, bem como a necessidade de eventuais reformas e de adquirir equipamentos.
Em visita a Bauru em janeiro, o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, destacou que o governo estadual fez a previsão de R$ 100 milhões no Orçamento deste ano para a reforma do prédio e outros R$ 130 milhões anuais para o custeio dos serviços. Como normalmente ocorre, embora não seja uma regra estabelecida, a expectativa é de que a OSS que oferecer o menor valor para gerir o HC seja declarada vencedora do chamamento público.
A estrutura completa da futura unidade contará com 174 leitos. Somados aos 91 do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho), que será integrado ao complexo, serão 265 leitos no total, que atenderão moradores de 68 municípios da região.
No entanto, a expectativa é de que a abertura de leitos no HC ocorra de forma gradual, com a possibilidade de iniciar as atividades com as 60 vagas que chegaram a ser oferecidas durante a pandemia, quando o prédio funcionou como hospital de campanha.
Em janeiro, a Secretaria de Estado da Saúde havia informado que a previsão para começo do funcionamento do novo hospital era o mês de julho. Porém, com a prorrogação da data para as OSSs entregarem seus planos operacionais, o prazo para iniciar o atendimento à população também pode atrasar.