10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Consumo de combustível despenca e 'segura' preços

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

Motoristas que foram abastecer em Bauru nos últimos dias se depararam com uma leve redução nos preços dos combustíveis. Isso porque, desde o grande reajuste implantado pela Petrobras no dia 11 deste mês, as vendas de etanol e gasolina despencaram aproximadamente 25% na cidade, apontam empresários do setor. Diante disso, conforme "manda" a lei de oferta e procura, alguns postos precisaram diminuir a margem de lucro para atrair os consumidores.

Na tarde desta quarta-feira (30), o JC percorreu quinze estabelecimentos de várias regiões do município e verificou que a gasolina está sendo praticada, em média, por R$ 6,57, alternando entre R$ 6,15 e R$ 6,99. Já entre 13 e 19 de março, semana seguinte ao reajuste nas refinarias, o item era comercializado na cidade, em média, por R$ 6,84, aponta a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Ou seja, houve uma queda de R$ 0,27 no valor médio neste período.

Já o etanol teve diminuição mais tímida. Nos mesmos estabelecimentos, foi constatado, ontem, que o produto está sendo vendido, em média, por R$ 4,59, variando entre R$ 4,39 e R$ 4,79. Já entre 13 e 19 de março, o preço médio praticado era de R$ 4,61, mostra a ANP.

'JÁ AJUDA'

"Mesmo que tenha reduzido alguns centavos, já ajuda a economizar um pouquinho. Desde o reajuste maior, tive que mudar minha rotina e passei a usar o carro só quando é muito necessário, para evitar gastar combustível. Temos priorizado fazer mais coisas a pé", conta o aposentado Joel Ferreira, de 68 anos, que aproveitava para abastecer o veículo junto com a esposa, Nilza Ferreira, de 66, em um posto na região do Bela Vista.

Quem também precisou realizar mudanças no dia a dia para passar com menos frequência nos postos foi o empresário Denny Alisson, de 50 anos. "Antes do reajuste, eu costumava descer até o Centro da cidade pelo menos três vezes na semana para resolver minhas coisas. Agora, estou tentando otimizar meu tempo para vir apenas uma vez. Está muito caro andar de carro".

OFERTA E PROCURA

Esses leves recuos, contudo, não estão relacionados a reajustes nas refinarias ou usinas, mas sim à lei de oferta e procura. De acordo com Edivaldo Tuschi, presidente da Associação dos Revendedores de Combustíveis de Bauru e Região (Arcomb), alguns empresários reduziram a margem de lucro para estimular o consumo, já que, após o mega-reajuste feito pela Petrobras, as vendas de combustíveis despencaram na cidade, segundo os proprietários.

"Só que isso é temporário, porque os preços devem aumentar drasticamente nas próximas semanas, principalmente o etanol. É questão de tempo para ele ultrapassar R$ 5,00 novamente. A safra da cana, que, geralmente, começa no final de março, só deverá ter início na segunda quinzena de abril, porque ela ainda não cresceu o suficiente este ano. E o preço do álcool influencia muito o preço da gasolina, já que 27% dela é etanol", detalha Tuschi.

Além disso, o presidente da Arcomb aponta que a gasolina também continua encarecendo um pouco a cada dia. "São reajustes de alguns centavos todos os dias, muito por conta da guerra entre Rússia e Ucrânia, que eleva o preço dos barris de petróleo", completa.