Defender a democracia e o Estado de Direito, mesmo que seja preciso acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para tanto. Patrícia Vanzolini, de 49 anos, afirma que essa é uma das suas prioridades. Ela é a primeira mulher a presidir a Seccional Paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SP). A criminalista e professora esteve em Bauru nesta semana para a posse da também primeira mulher presidente da Subseção de Bauru da entidade, Márcia Negrisoli Fernandez Polettini, que cumpre seu segundo mandato.
Acompanhada do vice-presidente da OAB/SP, Leonardo Sica, Patrícia Vanzolini falou sobre a importância de defender a democracia e de outros assuntos, em visita ao Café com Política do JC, na última quinta-feira (31). Além de trabalhar para assegurar os direitos dos advogados que atuam no País, a Ordem exerce a função de zelar pelos cidadãos e seus direitos perante à Justiça. Ou seja, protege a Constituição Federal.
"No contexto Brasil, nossa pauta principal é a proteção do Estado de Direito e da democracia. Para cumprir esse papel, a OAB precisa ser inteiramente apartidária. Estamos em um momento político muito polarizado. E este ano será mais polarizado ainda, com as eleições. Mas é importante sinalizar que a Ordem está presente e não vai se omitir em relação a qualquer ataque contra a democracia, e a intensidade da nossa resposta dependerá do contexto", afirma Vanzolini.
MODERNIZAÇÃO
Para também executar essa função, a presidente avalia que será necessário organizar e modernizar os processos internos da Ordem. "Nossa prioridade é trazer a OAB para o século 21. A modernização é crucial para prestarmos serviços de forma eficiente. Caso contrário, todos os belos planos que tivermos não poderão ser colocados em prática por conta da desorganização interna. A inscrição de novos advogados, por exemplo, pode demorar até quatro meses. Isso precisa ser mais rápido", destaca.
REPRESENTATIVIDADE
Parte desta modernização já começa, inclusive, com a eleição da primeira presidente mulher. Mas tal fato ocorreu somente após 90 anos de existência da OAB/SP. "É importante ter uma mulher na presidência. Primeiro, pela representatividade, já que somos maioria na advocacia em São Paulo. Temos que estar representadas também na liderança. E, segundo, porque trazemos um outro olhar. Não é um olhar melhor e nem pior, apenas diferente e necessário", defende.
Segundo a presidente, é momento de se combater também os diversos desafios enfrentados pelas mulheres na profissão. "Muitas, por exemplo, são prejudicadas na vida profissional por conta dos assédios sexual e moral, uma experiência pela qual os homens dificilmente passam. E também precisam ser revistas as questões relacionadas a prazos quando a mulher está grávida ou amamentando, à maternidade em geral, já que as mulheres são seres que dão à luz", cita.
ADVOCACIA
Além dos desafios enfrentados pelas mulheres particularmente, existem ainda os obstáculos da advocacia como um todo. Patrícia Vanzolini explica que o perfil da classe mudou por conta da grande quantidade de advogados que há atualmente. Somente em São Paulo, são 450 mil. No Brasil, 1,3 milhão.
"Isso gera o empobrecimento material da classe. Temos, hoje, advogados que ganham até dois salários mínimos, ou que vivem em condição de vulnerabilidade. E existe a perda de mercado de trabalho, já que o mercado tradicional não consegue absorver tantos profissionais. A OAB precisa atuar nessas frentes, dar amparo material, ajudar na qualificação. Deve proteger o mercado que já existe e também criar novos, capacitando os advogados. Acredito que, hoje, a advocacia precisa mais da OAB do que já precisou antes", complementa a presidente.
Inclusive, nesse sentido, foi firmada recentemente uma parceria entre a OAB/SP e o Sebrae, com o objetivo de promover cursos de fundamentos sobre administração, marketing, entre outros, voltados, principalmente, para jovens advogados.