11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Pós-pandemia, empresas estão mais de olho no psicológico para empregar

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Por muito tempo, um currículo recheado de diplomas e cursos foi o principal trunfo de muitos trabalhadores para conseguir um bom emprego. Mas, especialmente por conta da pandemia, as habilidades comportamentais e emocionais dos profissionais passaram a ganhar maior atenção de recrutadores na hora da seleção para uma vaga.

A afirmação é feita por especialistas na área de recursos humanos ouvidos pelo JC. Segundo eles, até por conta da defasagem na educação formal dos indivíduos decorrente da crise sanitária, e que não será superada em curto espaço de tempo, competências como empatia, criatividade, inteligência emocional, flexibilidade, capacidade de comunicação e resiliência passaram a ser tão valorizadas quanto um bom currículo no momento da escolha de um candidato.

"Isso ficou muito claro para as empresas: a pessoa que tem estas qualidades apresenta capacidade de resolver problemas diante de situações de pressão e conflito. Quem tem organização pessoal acaba tendo um diferencial", avalia Gislaine Magrini, titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda (Sedecon) e que também é psicóloga organizacional pós-graduada em Gestão de Pessoas e especialista em Avaliação Comportamental e Avaliação Vocacional.

Ela conta que estas habilidades, denominadas dentro do segmento de recursos humano como 'soft skills', já vinham ganhando destaque antes da pandemia, porém, o entendimento de que elas são tão importantes quando as competências técnicas - ou 'hard skills' - se intensificou com a crise. "Um profissional com resiliência, inteligência emocional, capacidade para se adaptar aos valores da empresa pode aprender muito mais facilmente a parte técnica do que um trabalhador com boa técnica desenvolver estas competências comportamentais", acrescenta.

DEFASAGEM

Gerente de Talento e Remuneração da Paschoalotto, Luiza Caixe Metzner avalia que as 'soft skills' também ganharam maior relevância porque, nestes dois anos de pandemia, as corporações perceberam que o nível de formação técnica dos profissionais decresceu, por motivos relacionados, por exemplo, à evasão escolar, dificuldade para aprendizado de forma remota e suspensão de cursos presenciais de capacitação. O problema foi tão grave que, segundo ela, as empresas chegaram a flexibilizar as exigências de escolaridade na hora da contratação.

"O gargalo educacional, que sempre foi grande, acabou sendo intensificado pela pandemia. Assim, qualidades como o olhar curioso para aprender com as experiências, o interesse genuíno pelo outro, a escuta ativa, a capacidade de se adaptar e aprender com as adversidades e o pensamento crítico são desejadas pelas empresas, independentemente do segmento em que atuam. Um profissional pode até não ter estas competências totalmente lapidadas, até porque muitos deles tiveram a saúde mental comprometida durante a pandemia, mas conseguimos identificar potenciais que podem ser explorados", frisa.

AUTODESENVOLVIMENTO

Não significa, contudo, que os trabalhadores não precisem mais investir no aperfeiçoamento de suas aptidões técnicas, com cursos de capacitação, graduação, mestrado, doutorado ou de idiomas, por exemplo. Porém, não devem deixar de lado suas habilidades comportamentais, que também podem ser aprimoradas, conforme explica a professora Claudineia Fernandes, especialista em Psicologia Organizacional, Gestão de Pessoas e Gestão Empresarial.

"O que te fortalece como profissional são suas competências técnicas, mas investir no seu autodesenvolvimento sempre será um diferencial. E cada um deve se observar para identificar e corrigir eventuais lacunas. Há muitos cursos gratuitos que trabalham com isso", completa a especialista.

A Sedecon, inclusive, já oferece capacitações na área, para ensinar profissionais a fazer marketing pessoal, falar em público, ter bom relacionamento interpessoal e agir sob pressão, entre outros.