08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Serviço porco!

José Luiz F. Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Aproveitando a deixa do edil Guilherme Berriel, que na edição do JC de 22/03 teceu críticas à Secretaria de Obras da Prefeitura Municipal de Bauru e ao DAE, pelo péssimo conserto de um buraco localizado no cruzamento da avenida Rodrigues Alves com Aureliano Cardia, confesso que me causou surpresa a reação do nobre vereador, pois não acredito que o mesmo ainda não tenha visto ao percorrer ruas e avenidas da cidade os serviços de baixíssima qualidade realizada por estas duas instâncias.

A maioria dos buracos são consertados por diversas vezes, é massa asfáltica em cima de massa asfáltica e o reconserto deste mesmo buraco comprova isso. Basta ver a foto estampada no JC. Citarei apenas um exemplo de muitos. Avenida Joaquim da Silva Martha em frente a uma Clínica Oftalmológica. O buraco de lá deve ter mais vidas que os gatos, pois consertam e ele sempre reaparece.

A explicação é facílima. Quem realiza esses consertos são pessoas desinteressadas, descontentes com a vida e com o salário que recebe e sem nenhum comprometimento com a empresa que lhe paga o salário.

Aliás, quem paga os salários é a população e quem mais sofre é a própria população. Os culpados por queimar os recursos públicos não são os funcionários que executam os serviços, mas principalmente dos encarregados que acompanham as equipes de trabalho, que ao invés de fiscalizar o serviço que está sendo feito ficam com os telefones celulares nas mãos e não estão preocupados com a qualidade do serviço e, no final, quem paga o preço é a população. Todos os envolvidos neste processo, sem exceção: funcionários, encarregados, chefes e os diretores destas duas autarquias deveriam ser sumariamente demitidos a bem do serviço público.

Os vereadores da cidade, ao invés de ficarem discutindo matérias que não trazem nenhum benefício à população, concedendo Moção de Aplauso para coisas ridículas para aparecerem nas páginas do JC, deveriam cuidar deste problema e de muitos outros que persistem e assolam nossa cidade a décadas.

Bauru é uma cidade que não tem um governo eficaz há muito tempo, por isso se encontra nesta situação, não bastasse isso somos obrigados a ler e ouvir da prefeita forasteira que seu primeiro ano de mandato à frente da Prefeitura foi positivo. A cereja do bolo do tema abordado veio na primeira página do JC de 26/03. Os especialistas e as autoridades ouvidas pelo JC elegeram o solo, a chuva, o desleixo e os vazamentos como os responsáveis pelo fato dos recapes não durarem.

Um dos especialistas disse que o solo não é o vilão e muito menos a chuva, o que concordo plenamente e sim o desleixo e os vazamentos. Os vazamentos ocorrem justamente pelo desleixo de quem os realiza. Se não existissem espaços entre o solo e a massa asfáltica utilizada nesses reparos e os bueiros não estivessem entupidos pela sujeira jogada nas ruas por pessoas porcas, temos milhares em Bauru e a prefeitura fizesse trabalho de limpeza frequente e os funcionários responsáveis pelos reparos o fizessem corretamente isso não aconteceria, pois a água seguiria o seu curso normalmente até chegar ao Rio Bauru.

Portanto, os vilões do desperdício do dinheiro público vem de cima: diretores das autarquias citadas que não saem das suas salas com ar-condicionado e não tiram as nádegas das cadeiras e que participam há décadas do governo de Bauru. Entra prefeito sai prefeito e essas pessoas continuam lá e os serviços que prestam, obviamente são sempre os mesmos; os encarregados que chefiam as equipes de trabalho da prefeitura juntamente com os funcionários que realizam os recapes, repito, esses sim são os verdadeiros responsáveis.

Todos deveriam ser excluídos do quadro de funcionários da Prefeitura Municipal de Bauru, a bem do serviço público, pois a população paga os impostos e são obrigados a transitar com os seus veículos nestas buraqueiras.

Lamentavelmente, não acredito que esta situação possa mudar enquanto essas pessoas estiverem a frente desses departamentos.

Culpar o solo e a chuva é transferir responsabilidades.