São Paulo - As primeiras declarações sobre segurança pública do pré-candidato pelo Republicanos ao Governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas, irritaram integrantes da cúpula das polícias Civil e Militar e geraram desgaste em um reduto tradicionalmente bolsonarista. Em entrevista ao canal do Youtube Money Reports, Tarcísio disse que a segurança pública paulista havia ruído e que um dos motivos para isso seria um suposto pacto com o crime organizado.
"São Paulo tem uma coisa interessante que o paulista não percebe: a associação com o crime organizado. São Paulo fez um pacto com o crime organizado, de não combatê-lo. E por que se optou por não combater o crime organizado? Porque combater o crime organizado dá efeito colateral", disse o pré-candidato.
Esses efeitos colaterais, segundo ele, seriam a reação dos criminosos com a morte de policiais, queima de ônibus, assalto a bancos e aumento da insegurança.
"O problema é que quando você não combate, o crime cresce, e ele se infiltra no poder. E aí ele acaba se tornando força política", disse.
INVESTIGAÇÃO
Tarcísio se tornou alvo de dois pedidos de investigação por parte de parlamentares por causa das declarações. Um dos autores é o deputado estadual Delegado Olim, filiado ao PP ?partido que, na esfera federal, apoia a reeleição de Jair Bolsonaro (PL), mas que em São Paulo pode se juntar a Rodrigo Garcia (PSDB).
O deputado federal Alexandre Frota (PSDB) é o outro parlamentar que apresentou representação contra Tarcísio.
"A gente precisa entender se essa é mais uma falácia dele, mais uma fake news, porque ele precisa provar o que ele falou", afirmou o parlamentar à reportagem.
OUTRO LADO
Questionado o ex-ministro disse que defende "a valorização das polícias e a articulação com a União" e que o "combate ao crime organizado precisa ser priorizado e é um importante desafio a ser enfrentado pelo próximo governador".
Segundo a assessoria de Tarcísio, ele "afirmou que o combate ao crime organizado não é uma prioridade do atual Governo de São Paulo". "A presença da maior facção do estado é um fato que está diariamente no noticiários e que é sentido cotidianamente pelas famílias, principalmente as mais pobres", disse.