Com a disparada no preço do trigo, influenciado pelo conflito entre Rússia e Ucrânia - dois importantes produtores do cereal -, padarias se veem obrigadas a reajustar o preço do pão francês, carro-chefe das vendas. Em alguns estabelecimentos de Bauru, o aumento já chegou a 30% nas últimas semanas e novos acréscimos não estão descartados. Na outra ponta, o consumidor, já com o orçamento pressionado e apertado, está tendo que mudar hábitos de consumo.
É o caso de Ana Maria Ventura Guedes, 60 anos, que reduziu a compra diária de cinco para três pãezinhos. "Às vezes, a gente troca por tapioca ou outra coisa", revela a empregada doméstica, que dificilmente sai da padaria sem levar outros produtos, como salgados ou doces.
De acordo com Alexandre Módolo, sócio-proprietário de uma padaria na cidade, em fevereiro, o preço do quilo do pão teve um reajuste de 10% e, hoje, é comercializado a R$ 18,40. "Tivemos que repassar uma parte, não teve jeito. No final de março, entregaram farinha 23% mais cara. Agora, estamos avaliando se vamos manter esse preço ou se seremos obrigados a reajustar novamente", conta o empresário, preocupado com a queda na rentabilidade. "O poder aquisitivo da população também diminuiu. Percebemos uma queda no consumo em quilos".
CONFLITO
Desde o começo do conflito entre russos e ucranianos, em fevereiro, o empresário Matheus Zuiani, dono de outra padaria, recebeu um carregamento de farinha 25% mais caro do que no começo do ano. Assim, nos últimos 30 dias, o quilo do pão francês no local passou de R$ 12,99 para R$ 16,99, aproximadamente 30% de acréscimo.
"Como foi uma disparada muito forte, nossa expectativa é de que não aumente mais no curto prazo", torce Zuiani, que ainda tenta driblar os reajustes em outros produtos. "Nós sentimos também o aumento dos combustíveis. Então, tudo que depende do frete também subiu".
Já o empresário Kassio Fugimura, de outro estabelecimento no município, ainda conseguiu comprar a farinha pelo mesmo preço que pagava antes da guerra. "Esse reajuste ainda não chegou para nós", afirma. Porém, sabe que não será possível segurar o valor de R$ 16,30 no quilo do pão caso a matéria-prima chegue mais cara. "Se subir, vamos ter que repassar, pelo menos um pouco, senão a conta não fecha", finaliza.