10 de julho de 2026
Geral

Suspensão da entrega de sondas faz famílias arcarem com altos custos

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

Famílias estão tendo que arcar com os altos custos para a aquisição de sondas de gastrostomia (GTT) e têm feito até rifa para ajudar quem não pode pagar pelo equipamento. Os dispositivos nacionais, mais em conta, giram em torno de R$ 870,00, mas os importados, de melhor qualidade, chegam a custar quase três vezes mais. Os kits eram fornecidos pelo Hospital Estadual de Bauru (HEB), porém, segundo pais, a entrega teria sido interrompida sem aviso prévio e também sem justificativa. O item é fundamental para a nutrição de crianças com paralisia infantil e outros problemas que impedem a alimentação via oral.

A denúncia da suspensão no fornecimento foi feita pelo vereador Julio Cesar (PP). A Secretaria de Estado da Saúde alega que o equipamento não fazia parte dos fornecidos pelo SUS e que, após incorporação do item pelo Ministério da Saúde, interrompeu a entrega espontânea até receber mais definições do órgão (leia mais abaixo).

O fato é que a suspensão se tornou um pesadelo para muitas famílias. Recentemente, Luana Cristina de Amorim Caleira, 34 anos, precisou comprar um novo kit com recursos próprios para trocar a sonda do filho Jorge Amorim Trindade, 7 anos, vencida desde meados do ano passado. "O botton (peça fixada no abdômen que permite o encaixe da mangueira) é de silicone transparente, mas já estava preto. Um risco grande de ele contrair uma infecção generalizada. Tive que dividir no cartão, pesou muito no orçamento", revela a dona de casa, que desembolsou R$ 920 (produto mais R$ 50,00 de frete) para aquisição de uma sonda nacional. "Foi um achado de uma outra mãe, porque uma importada custava R$ 2.357 mais o frete", conta Luana, que recebe benefício de um salário mínimo pelo INSS.

Desde 2019, a família recebia os kits no HEB, contendo botton e mangueiras, cuja troca deve ser feita a cada oito meses. No entanto, no final do ano passado, o fornecimento foi suspenso. "Eles cortaram o kit e disseram que agora seria entregue pela prefeitura. Procuramos os serviços de saúde da rede municipal, mas disseram que não é responsabilidade deles", reclama. Além dela, pelo menos outras nove famílias estariam enfrentando a mesma dificuldade.

RIFA SOLIDÁRIA

Nesta semana, Luana e outra mãe se uniram para fazer uma rifa e ajudar uma família que não tem condições de adquirir o equipamento. Cada número custa R$ 10 e o prêmio é uma cesta de produtos cosméticos. "O menino dela tem 9 anos, com paralisia infantil também. É uma mãe sozinha, com três filhos. Ela não tem condições de trabalhar e não pode ficar sem o botton", conta Luana.

O objetivo é arrecadar, pelo menos, R$ 500,00 com sorteio para, depois, ainda tentar uma vaquinha e complementar o restante. Interessados na rifa podem entrar em contato pelo (14) 98809-1317.